Cerco à imprensa deve piorar, diz dono de TV

CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2010 | 00h00

A repressão aos meios de comunicação na Venezuela tende a aumentar com a aproximação das eleições legislativas, marcadas para setembro. A advertência foi feita pela relatora especial sobre liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Catalina Botero, durante uma audiência ontem no Congresso americano. Para Catalina, a Venezuela está "correndo muito rápido em direção a um limite intolerável".

"Eu espero que a repressão não cresça. Mas vejo o aumento das ameaças. As coisas tendem a ficar pior", afirmou. "Mas ainda é possível parar esse processo", disse Catalina, ao ser questionada por legisladores americanos.

A visão da CIDH sobre o tema foi reiterada pelo empresário Marcel Granier, presidente da RCTV, rede de televisão que perdeu o direito de transmissão, em 2006, por decisão do presidente Hugo Chávez. Granier disse que os sinais de uma repressão mais forte já estão sendo sentidos. Com exemplos, citou a condenação arbitrária do jornalista Francisco Pérez, que denunciou um esquema de nepotismo, e a ordem de prisão contra Guillermo Zuloaga, presidente do canal Globovisión.

"A situação vai piorar até as eleições", afirmou. "Com a prisão de Pérez, o governo dá uma mensagem para que jornalistas não opinem. No caso de Zuloaga, a mensagem é para as empresas controlarem repórteres."

Três horas antes do início da audiência no Congresso, o embaixador da Venezuela nas Nações Unidas, Jorge Valero, já reagia e tentava desqualificar a sessão. "É um show político montado pelos setores mais reacionários dos EUA, em aliança com o golpismo da Venezuela."

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