Eduardo Gayer / ESTADÃO
Eduardo Gayer / ESTADÃO

Russos entram na região de Kiev, e bombardeios se intensificam na capital da Ucrânia

Governo recomendou que os moradores se protejam em locais fechados e façam coquetéis molotov; militares russos estão a 9 km do Parlamento ucraniano, no centro da cidade

Eduardo Gayer, enviado especial a Kiev, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2022 | 06h04
Atualizado 25 de fevereiro de 2022 | 12h26

KIEV - Neste segundo dia de guerra entre a Rússia e a Ucrânia, as tropas de Moscou já se aproximam de Kiev, a capital do país, e ampliam o cerco sobre o governo de Volodmir Zelenski. 

Bombardeios têm sido ouvidos na cidade desde a madrugada. Em consequência das explosões, há fumaça preta nos arredores do rio Dnieper, que corta a cidade. Os tanques governistas estão nas ruas, em sinal de preparação para a resistência armada.

A orientação do governo local à população é se manter em local seguro. A sirene de emergência já soou em Kiev ao menos três vezes nesta quinta-feira. Trata-se do aviso para que todos se dirijam a bunkers ou abrigos, em razão do risco de bombardeio em massa.

Em sua conta no Twitter, o ministério do Interior da Ucrânia disse que os moradores devem “preparar coquetéis molotov” para deter os invasores russos.

O estímulo à resistência civil armada foi adotado pelo governo ucraniano desde antes do início da guerra. O Parlamento local aprovou um decreto que permitiu a posse de armas para defesa pessoal.

Desde a madrugada de quinta-feira, dia um da invasão, as tropas de Vladimir Putin avançaram rapidamente rumo a Kiev, em ação muito acima do tom esperado. A ofensiva se deu por Norte, Sul e Leste da Ucrânia, e por terra, céu e água.

Autoridades ucranianas disseram que um avião russo foi derrubado e colidiu com um prédio em Kiev durante a noite, incendiando-o e ferindo oito pessoas.

Ataques continuam também em várias outras cidades do país. Grandes explosões altas foram ouvidas em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, e a cidade grande mais próxima à fronteira com a Rússia. A prefeitura pediu para a população procurar abrigo.

Em Lviv, no Oeste, sirenes de ataque aéreo soaram. As autoridades relataram fortes combates na cidade oriental de Sumy.

Temor da população civil

Em um prédio de 10 andares de um conjunto habitacional perto do principal aeroporto de Kiev, uma bomba explodiu pouco antes do amanhecer e deixou uma cratera de dois metros. Um policial disse que as pessoas ficaram feridas lá, mas não morreram.

“Como podemos sobreviver a isso em nosso tempo? O que devemos pensar. Putin deveria ser queimado no inferno junto com toda a sua família”, disse Oxana Gulenko, limpando cacos de vidro de seu quarto.

Um vizinho, o veterano do exército soviético Anatoliy Marchenko, 57, não conseguiu encontrar seu gato que havia fugido durante o bombardeio.

“Conheço pessoas lá, são meus amigos”, disse ele sobre a Rússia. “O que eles precisam de mim? Uma guerra chegou até a minha casa e é isso.”

Todos os civis convocados

O Exército da Ucrânia fez uma convocação todos os os civis se alistarem: "Precisamos de todos os recrutas, sem restrições de idade", disse uma primeira mensagem publicada em uma rede social. convocação, presumivelmente, vale também para menores de idade, e alcança homens e mulheres. Desde dezembro, todas as mulheres ucranianas "aptas ao serviço militar" entre 18 e 60 anos fazem parte da reserva em tempos de guerra. Pouco depois, houve uma segunda convocação: "Hoje, a Ucrânia precisa de tudo. Todos os procedimentos de adesão são simplificados. Traga apenas seu passaporte e número de identidade".

O governo encorajou moradores a fazerem coquetéis molotov, enquanto também aconselham outros a procurarem abrigo.

"Pedimos aos cidadãos que nos informem sobre os movimentos de tropas, façam coquetéis molotov e neutralizem o inimigo", afirma um texto.

Queda de Kiev

Na noite de quinta-feira, 24, funcionários do alto escalão do governo dos Estados Unidos afirmaram que acreditam que Kiev poderia cair rapidamente com o avanço das forças russas. De acordo com os setores de inteligência americanos, as forças militares da Rússia, enviadas de Belarus, aproximam-se de Kiev.

O The Washington Post noticiou que a posição dos Estados Unidos de apoiar a Ucrânia foi confirmada. Até o momento, as informações são de que o governo americano fornecerá ajuda e recursos militares enquanto “existir um governo ucraniano viável”.

Os combates se intensificaram entre a noite de quinta-feira e madrugada de sexta (horário de Brasília), com intenso bombardeio em diversas cidades do país. Sirenes de alerta foram soadas em Kiev e Lviv, e ao menos três soldados da patrulha de fronteira ucraniana foram mortos durante um bombardeio em Zaporizhia.

Moscou vem afirmando reiteradamente que os ataques miram alvos militares da Ucrânia, o que foi contestado pelo presidente Volodmir Zelenski, que afirma que alvos civis foram atingidos durante os bombardeios.

Imagens de Kiev mostram que pelo menos um edifício residencial foi destruído durante os bombardeios. Equipes do corpo de bombeiros foram ao local apagar o incêndio e socorrer as vítimas.

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Dmytro Kuleba, comparou os bombardeios russos a Kiev com os bombardeios da Alemanha nazista no país em 1941. / NYT, REUTERS e AFP

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