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Cerco ao EI em cidade iraquiana ameaça milhares de crianças

Segundo Unicef, há graves riscos caso planos humanitários não sejam levados em consideração no conflito

O Estado de S.Paulo

10 Julho 2016 | 20h57

MOSSUL, IRAQUE - Dezenas de milhares de crianças iraquianas correm grave risco de morte, de violência, de ficarem sem lar e mesmo de serem recrutadas por grupos armados caso os planos de contingência humanitária não sejam priorizados pelas forças militares que operam em Mossul, ao norte do Iraque, diz a Unicef.

Segundo Peter Hawkins, representante no país do braço da ONU que atua em defesa dos direitos das crianças, cerca de 1,7 milhão de pessoas serão diretamente afetadas por ataques iminentes em Mossul, uma das maiores cidades do Iraque, ainda sob domínio do Estado Islâmico. “A perspectiva de conseguir ajudar milhares de pessoas no semi-árido é limitada, dado que as restrições de água, saneamento e abrigos são extremamente preocupantes”, disse Hawkins ao jornal britânico Guardian.

A situação deve se agravar já que o governo iraquiano recuperou no sábado a base aérea estratégica em Al Qayara, e aperta o cerco contra o EI em Mossul, último grande bastião jihadista.

“A cidade (Mossul) está cercada em todas as direções: ao norte, leste e oeste, e agora as tropas iraquianas reforçaram o cerco ao sul com a reconquista da base aérea, que servirá de ponto de partida para liberar totalmente Mossul”, afirmou o porta-voz do Comando de Operação para a Liberação da Província de Nínive, Feras Sabri.

Diante dessa situação de guerra, a ONU está com seu alcance limitado há algum tempo, até porque não há nenhum tipo de contato com a organização ou seus braços que atuam na cidade.

De acordo com Hawkins, o comércio com a Síria e o acesso à comida por meio da área fértil ao longo do rio Tigre vai rapidamente se tornar um problema, já que o deslocamento pelo interior do país está se tornando cada vez mais restrito. 

“Será muito difícil ajudar aqueles que estiverem escapando de Mossul”, disse Hawkins. “(A cidade de) Fallujah (recentemente libertada do controle dos jihadistas) mostrou como uma crise pode se desenvolver muito rapidamente.”

Com o cerco tanto na Síria quanto no Iraque, o Estado Islâmico perdeu um quarto do seu território nos últimos 18 meses e deve, por isso, lançar uma ofensiva contra civis nos próximos meses. O conflito no Iraque, incluindo a recente retomada de Fallujah pelo Exército, deixou cerca de 4,7 milhões de crianças em situação de emergência – aproximadamente 13% da população de todo o país. / EFE

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