Cérebro de terrorista é sepultado após anos em estudo

O cérebro de Ulrike Meinhof, a líder da Fração do Exército Vermelho - grupo terrorista também conhecido como Baader-Meinhof - foi enterrado ao lado do corpo, depois de uma universidade alemã, que realizou pesquisas no órgão, ter sido obrigada a devolvê-lo para a família da lendária terrorista, informaram funcionários de Berlim nesta sexta-feira. As duas filhas gêmeas de Meinhof requisitaram à Justiça que o cérebro fosse cremado e colocado em uma urna, que foi por elas enterrado na quinta-feira em uma cerimônia privada no cemitério berlinense em que o corpo de sua mãe descansa há mais de 26 anos, disse Eckard Maack, porta-voz da promotoria em Stuttgart. Uma das filhas, Bettina Roehl, publicou um artigo em novembro tornando público que o cérebro de sua mãe havia sido preservado em segredo depois que Meinhof se enforcou na prisão, em 1976. Ela exigiu que o cérebro fosse enterrado e acionou os procuradores. Meinhof era considerada a líder intelectual da Fração do Exército Vermelho, um grupo revolucionário de esquerda que espalhou o terror na Alemanha Ocidental nos anos 70 e 80. O grupo era originalmente conhecido como o Baader-Meinhof por ter sido fundado por Ulrike e seu companheiro, Andreas Baader. No mês passado, o professor da universidade de Magdeburgo, Bernhard Bogerts, admitiu que vinha estudando o cérebro de Meinhof desde 1997, na tentativa de descobrir se a cirurgia de um tumor cerebral a que a mulher havia se submetido nos anos 60 poderia ter influenciado sua tendência para o extremismo. Bogerts disse ter encaminhado o órgão para o recém-aposentado patologista Juergen Peiffer, da universidade de Tuebingen (sudoeste da Alemanha). Regine Roehl, a outra filha da fundadora da Fração do Exército Vermelho, entrou com um queixa-crime contra Peiffer, acusando-o de perturbar a paz dos mortos.

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