Cerimônia de funeral do pai será o primeiro teste do novo líder

Kim Jong-un foi nomeado chefe da despedida oficial do ex-líder supremo e terá de mostrar que apoio ao regime está intacto

TÓQUIO, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h06

Com a súbita morte do líder Kim Jong-il, uma pergunta que há muito aflige os observadores da situação norte-coreana vem à tona: se o Exército e outros setores da pequena elite de Pyongyang estão dispostos a bancar a extensão do domínio dinástico para uma terceira geração, a de Kim Jong-un.

Na segunda-feira, horas depois do anúncio da morte do pai dele, o Partido dos Trabalhadores que governa a Coreia do Norte emitiu um pronunciamento pedindo ao país que se unisse "sob a liderança do nosso camarada Kim Jong-un".

O jovem Kim também foi nomeado presidente da comissão que vai supervisionar o funeral de seu pai no dia 28 de dezembro - uma medida que alguns analistas interpretaram como prova de que a transferência de poder para o filho estaria procedendo sem problemas, ao menos nos primeiros dias. Analistas disseram esperar que o funeral seja um elaborado espetáculo público, não apenas mostrando reverência ao líder morto, mas também a união sob o novo líder.

"O primeiro teste da nova liderança será a maneira com que o jovem Kim lidará com a morte do próprio pai", disse John Delury, professor de estudos internacionais da Universidade Yonsei, de Seul.

Alguns analistas disseram que, após seu primeiro contato com a morte, um derrame sofrido em 2008, o velho Kim lutou para consolidar o apoio em torno de seu filho. A classe governante norte-coreana teria ainda de reconhecer que, ao menos por enquanto, não há escolha senão aceitar a sucessão. Mas ninguém sabe o que vai ocorrer depois do funeral. / NEW YORK TIMES, TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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