Todd Heisler/The New York Times
Todd Heisler/The New York Times

Cerimônia discreta une parentes em Boston

Cerca de 300 pessoas participaram da leitura dos nomes das vítimas da cidade

Alexandre Rodrigues, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2011 | 00h00

ESPECIAL: Dez Anos do 11 de Setembro

 

ENVIADO ESPECIAL/ BOSTON - Cerca de 300 parentes e amigos de vítimas do 11 de Setembro reuniram-se ontem em Boston, nas escadarias do Parlamento do Estado de Massachusetts, numa cerimônia simples pelos dez anos dos ataques. As participações de jovens que cresceram sem um dos pais por causa do atentado foram as mais comoventes.

 

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No mesmo horário em que o primeiro avião sequestrado colidiu com uma das torres do World Trade Center, em Nova York, parentes revezaram-se na leitura dos nomes das vítimas envolvidos por um absoluto silêncio, acrescentando palavras como "amado" ou "inesquecível" aos nomes dos que morreram.

Entre um trecho e outro da lista, ouvia-se apenas o discreto toque de um sino. Os participantes também leram mensagens prometendo manter viva a memoria dos integrantes da lista.

O evento foi organizado pelo Fundo Massachusetts 11 de Setembro, uma organização sem fins lucrativos criada para apoiar famílias com vítimas nos ataques terroristas. Há dez anos, a instituição promove um evento discreto para marcar o dia 11 de setembro como forma de impedir o esquecimento da tragédia e suas vítimas.

Para marcar a primeira década da tragédia, o evento foi maior, mas pouco divulgado. A intenção era mais dar conforto as famílias do que reunir multidões.

Discrição. As demonstrações de emoção foram bastante contidas. Pouco antes da leitura, um quarteto de metais executou músicas suaves e um menino tocou uma corneta. A bandeira americana foi hasteada a meio mastro em total silêncio, a exceção da voz de um policial que cantava o hino nacional americano.

O governador de Massachusetts, David Patrick, acompanhou a cerimônia, que contou ainda com a presença de políticos como o senador democrata representante do Estado, John Kerry, que foi candidato a presidente dos EUA em 2004.

"Lembro-me como aquele dia havia amanhecido bonito. De repente, a beleza e inocência daquela manhã foi transformada na essência do terror. Nos tornamos mais fortes, passamos a contar mais uns com os outros e forçamos a tomada de decisões para tornar os EUA um lugar mais seguro", discursou Kerry na cerimonia que se seguiu no interior do Parlamento.

Luto. As irmãs Carrie e Danielle Lemarck ainda choram ao ler na lista o nome da mãe, Judy Larocque, uma das passageiras de um dos aviões que explodiram que foram lançados contra as Torres Gêmeas. Elas participam da cerimônia todos os anos, embora não vejam nela uma forma de conforto.

"É importante lembrar os que foram brutalmente assassinados e ficamos felizes de ver esse dia como um dia nacional de união, em que ajudamos uns aos outros. Mas não é fácil lembrar da minha mãe", afirma Carrie.

Danielle se diz otimista em relação a um futuro sem terrorismo, mas diz não conseguir pensar nos civis mortos nas guerras desencadeadas no Oriente Médio após os ataques. "Hoje só consigo pensar em minha mãe. Mas tenho filhos e acredito que esse mundo um dia será mais seguro. Tenho que acreditar".

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