EFE/Charlie Hebdo/Majorelle Pr
EFE/Charlie Hebdo/Majorelle Pr

Cerimônia lembra ataque ao ‘Charlie Hebdo’ na França

Eventos para lembrar segundo aniversário de atentados ocorrem na antiga sede do jornal e no mercado judaico

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2017 | 22h01

A França iniciou nesta quinta-feira, 5, uma série de homenagens para marcar os dois anos dos atentados de janeiro de 2015 em Paris e Montrouge. Os ataques, perpetrados por jihadistas em nome dos grupos terroristas Al-Qaeda e Estado Islâmico, marcaram o início da onda terrorista que atingiu o país nos dois últimos anos. As primeiras cerimônias foram realizadas nas antigas instalações do semanário satírico Charlie Hebdo e no mercado judaico atacado em Paris. 

As cerimônias de 2017 começaram dois dias antes do aniversário a pedido das famílias de vítimas e sobreviventes, que preferiram a discrição e o convívio familiar na data exata do primeiro ataque, no sábado. 

O ministro do Interior, Bruno Le Roux, e a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, visitaram três locais de atentados, onde 17 pessoas morreram. Sem discursos, as solenidades foram rápidas e sem teor político. Três jornalistas do Charlie Hebdo, Makira Bret, Eric Portheault e Riss depositaram flores junto a uma placa comemorativa inaugurada no ano passado que simboliza as 11 pessoas que morreram no 11.º distrito de Paris. 

Ao lado de famílias, Le Roux e Anne Hidalgo deixaram ramalhetes e fizeram um minuto de silêncio em cada um dos locais. Minutos depois, o mesmo procedimento foi repetido no local em que o policial Ahmed Merabet foi assassinado na rua por um dos dois terroristas que atacaram a redação da publicação. Em seguida, uma solenidade foi realizada no mercado judaico Hyper Cacher situado em Porte de Vincennes, no leste de Paris, onde três clientes e um funcionário foram mortos por um terceiro terrorista.

“É uma péssima lembrança. Mas é uma oportunidade para mostrar a eles que somos mais fortes”, afirmou Lassana Bathily, 26 anos, funcionário do mercado que salvou dezenas de clientes ao trancá-los em uma câmara frigorífica enquanto o terrorista atirava. 

Depois dos atentados de Paris, a França voltou a ser alvo de grandes ataques perpetrados em nome do Estado Islâmico em novembro de 2015 em Paris e Saint-Denis, com saldo de 130 mortos e 413 feridos, e em julho de 2016, em Nice, ação que deixou 86 mortos e 434 feridos. 

Tensão. Os ataques lançaram o país em um regime de exceção, o estado de emergência, que amplia os poderes da polícia, do Ministério Público e da Justiça e já dura 14 meses. 

Em alerta máximo de risco de ataque terrorista, mais de 7 mil agentes das forças de segurança foram mobilizadas no final do ano para vigilância após o atentado contra uma feira natalina em Berlim, no início de dezembro, cuja autoria também foi reivindicada pelo EI.

Segundo Jean-Marc Falcone, diretor-geral da Polícia Nacional, a ameaça de novos atentados continua muito elevada. “Nossos serviços de inteligência analisam cotidianamente o estado da ameaça. Há vários meses, ela permanece muito elevada, não só na França mas também em outros países europeus que participam da coalizão (contra o Estado Islâmico)”, avaliou Falcone. 

Desde os atentados de 2015, o presidente da França, François Hollande, teria ordenado a perseguição e a morte de mais de 40 cidadãos franceses que se juntaram ao grupo terrorista no Iraque e na Síria. As execuções extrajudiciais foram reveladas pelo jornal Le Monde e provocam polêmica no país.

Mais conteúdo sobre:
FrançaCharlie Hebdo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.