Cerimonial da cúpula européia separa Chirac de Blair

O presidente francês, Jacques Chirac, e o primeiro-ministro inglês, Tony Blair, foram colocados estrategicamente longe um do outro, na mesa de jantar dos líderes europeus no final da noite desta quinta-feira. O objetivo era evitar um possível confronto entre os dois, cujo relacionamento foi rompido depois do impasse sobre como desarmar Saddam Hussein. A presidência grega da União Européia colocou Blair entre o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, e o chanceler austríaco, Wolfang Schussel; ambos defendiam, de forma equidistante, a decisão de uma guerra contra o Iraque no âmbito do Conselho de Segurança. A estratégia dos lugares também assegurava que o primeiro-ministro britânico não ficasse frente a frente com Chirac, mas "levemente em diagonal", contou uma fonte diplomática à Agência Estado.Os vizinhos de Chirac, por sua vez, foram o primeiro ministro de Portugal, José Manoel Barroso, e o primeiro ministro sueco, Goran Persson. Schroder também foi posicionado a uma certa distância de Blair e chegou a afirmar em algum momento, ser lamentável que "a lógica da guerra tenha triumfado sobre a paz". Quando o jantar começou às 18h30 (de Brasília), Blair não tinha tido nenhum contato com Chirac. As obrigações do protocolo foram transferidas ao ministro britânico das relações exteriores, Jack Straw, que cumprimentou o presidente francês e seu homólogo, Dominique de Vellepin. Antes de deixar Paris em direção a Bruxelas, Chirac tinha declarado que a "França lamentava os bombardeios (contra o Iraque) sem a autorização das Nações Unidas". Disse ainda que esta guerra, com "sérias consequências para o futuro", deve ser concluída o mais "breve possível".Um tema evitado, apesar de previsto, foi a ajuda para a reconstrução do Iraque. Os 15 chefes de Estado restringiram-se a acordar sobre uma ajuda humanitária urgente para o povo iraquiano. O comissário europeu de relações exteriores, Chris Patten, afirmou durante a semana que será "muito difícil" convencer os países membros contrários à guerra sem o sim da ONU, pagarem a conta da destruição dos aliados. "Quem quebra, conserta", declarou Patten, lembrando um provérbio chinês. CondolênciasHoje, o primeiro-ministro Tony Blair disse que recebeu uma mensagem "pessoal" de condolências de Chirac pelos oito soldados britânicos mortos na queda de um helicóptero, no Kuwait. Blair disse que ficou sensibilizado com a atitude de Chirac, que teria demonstrado solidariedade, apesar das diferenças de opinião sobre a ação militar no Iraque. Veja o especial :

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