Fernando Llano / AP
Fernando Llano / AP

Cervejaria venezuelana paralisa operações por falta de insumos

Dirigente afirma a jornal venezuelano que mais de 11 mil trabalhadores correm risco de perder seus empregos

O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2015 | 19h19

CARACAS - O presidente da Federação Nacional de Trabalhadores da Indústria de Bebida, Pablo Castro, disse ao jornal El Nacional nesta terça-feira, 04, que a fábrica da Cervejaria Polar em Los Cortijos, em Caracas, paralisou suas operações na segunda-feira porque está sem matéria-prima para a produção. Ele garantiu que a fábrica, localizada no município de San Joaquín, em Carabobo, deve funcionar até hoje, quando também ficará sem insumos.

Dias atrás, um navio com carregamento de cevada, matéria-prima da cerveja, partiu da França e deve chegar no meio de agosto para repor os estoques da Polar.

O dirigente reclamou que o governo ainda não pagou a dívida de US$ 270 milhões que tem com fornecedores estrangeiros, o que impede que novas linhas de crédito para a compra de matéria-prima sejam abertas.

Daniela Escobar, engenheira que trabalha na fábrica da Cervejaria Polar em Los Cortijos, disse que a paralisação afetará 25% da produção de cerveja da principal fornecedora da bebida, que abastece 75% do mercado nacional. 

Ela revela ainda que, com a crise, 740 funcionários devem ficar em casa em razão do lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho) até que a matéria-prima chegue e a produção possa voltar ao normal.

Pablo Castro ainda afirmou ao El Nacional que recomendou aos funcionários da Polar que se unam diante da atual situação. O dirigente afirmou que os empregos de mais de 11 mil trabalhadores estão em risco.

Em entrevista ao Unión Radio, grupo venezuelano de rádio, Castro disse que alguns setores estão abordando o assunto com o governo, mas as explicações têm sido escassas. 

“Essa falta de respostas mostra ao país que a escassez de matéria-prima é tanta que o próximo passo é o fechamento das empresas”, destacou Castro.

Inflação. O opositor Henrique Capriles, governador do Estado de Miranda, disse hoje que a inflação na Venezuela está acima de 87%, o que seria o motivo para o Banco Central da Venezuela não publicar o índice oficialmente.

“Sabe por que não publicam a inflação? Em julho foi de quase 13% e vamos a 87% nos sete meses de 2015, a mais alta do planeta”, escreveu em sua conta no Twitter. 

Ele ainda fez uma comparação, dizendo que só no mês de julho a inflação na Venezuela equivale a dois anos de aumento dos preços na Colômbia.

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