EFE/SERGEI CHIRIKOV
EFE/SERGEI CHIRIKOV

Cessar-fogo na Síria é ampliado para incluir Alepo

EUA e Rússia anunciam novo entendimento após ataques colocarem negociações em risco; Damasco promete suspender bombardeios na quinta-feira

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

04 Maio 2016 | 20h29

GENEBRA - Estados Unidos e Rússia chegam nesta quarta-feira, 4, a um acordo para ampliar a abrangência do cessar-fogo em vigor na Síria, depois que ataques em Alepo colocaram em risco o processo de paz. O governo de Damasco admitiu que vai suspender as operações na cidade do norte do país a partir de quinta-feira. 

Antes do anúncio, a ONU havia alertado que a continuação dos combates na cidade poderia causar uma nova onda de refugiados, com mais 400 mil sírios prontos para deixar o país. Russos e americanos afirmaram que a ampliação do cessar-fogo teria entrado em vigor às 7h desta quarta, no horário sírio. Mas Damasco afirmou que a trégua só começaria na quinta-feira. 

“Esperamos que todas as partes respeitem o novo cessar-fogo em Alepo”, disse o secretário de Estado americano, John Kerry. Segundo ele, cabe aos russos pressionar o regime de Bashar Assad a respeitar o armistício, enquanto os Estados Unidos fariam o mesmo com a oposição síria. 

Nas últimas duas semanas, a violência na maior cidade da Síria deixou quase 300 mortos entre os civis e minou o processo de paz que ocorria em Genebra. Nesse período, bombardeios contra hospitais causaram protestos internacionais.

No Departamento de Estado americano, diplomatas afirmaram que os níveis de violência já foram reduzidos nesta quarta. Observadores das agências da ONU também indicaram que uma “calma precária” parecia existir, depois do que pode ter sido o momento mais intenso da guerra na cidade. 

O frágil cessar-fogo entrou em vigor em 27 de fevereiro, o que permitiu que o processo diplomático para encontrar uma saída política para a guerra civil fosse lançado na Suíça. Mas, diante da nova onda de violência, a oposição síria abandonou a negociação, alegando que o período estava sendo usado pelo governo de Assad e seus aliados russos para ganhar terreno.

Migração. Em Berlim, o mediador da ONU para a crise síria, Staffan de Mistura, alertou que o fracasso do cessar-fogo pode levar a uma nova onda de refugiados, com cerca de 400 mil pessoas prontas para cruzar a fronteira com a Turquia e engrossar o número de sírios a caminho da Europa. 

De Mistura se reuniu com as principais potências europeias para debater a crise e ouviu do chefe da diplomacia francesa, Jean-Marc Ayrault, que se o cessar-fogo não prosperar, todo o processo de paz fracassará. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, também indicou que não haverá retorno das delegações para Genebra se a trégua não se mantiver. 

Na ONU, o regime de Assad foi criticado abertamente por impedir que ajuda humanitária chegue a cerca de 900 mil pessoas. O conselheiro humanitário da organização, Jan Egeland, afirmou depois de presidir uma reunião semanal de nações que apoiam o processo de paz na Síria que os últimos dias foram uma “desgraça” no país. “Enquanto a população de Alepo sangra, suas opções de fuga nunca estiveram tão difíceis quanto agora”, alertou.

Sua missão, em abril, conseguiu convencer as partes envolvidas no conflito a permitir que o socorro chegasse a 40% das pessoas em áreas sitiadas. Mas o progresso perdeu força e pedidos ao governo sírio para aprovação de missões de ajuda foram ignorados.

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