Cessar-fogo pode sair nesta semana

Documento distribuído no sábado aos representantes dos 15 países membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas revela que os Estados Unidos têm planos de enviar 20 mil soldados da tropa de paz à fronteira entre Israel e Líbano para forçar um cessar-fogo imediato. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, coordenaria neste domingo um encontro para discutir a formação da tropa, que usaria o efetivo dos 25 países da União Européia, em especial da Turquia, que manifestou interesse em participar.A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, em missão no Oriente Médio, afirmou que o cessar-fogo poderá se concretizar na quarta-feira, de acordo com a Rádio de Israel. Rice teria um encontro com membros do Conselho de Segurança na terça-feira para discutir os termos do plano de cessar-fogo.O plano é confirmado por ambos os lados do conflito. Representantes do Hezbollah e ministros do gabinete libanês, por exemplo, chegaram a um acordo de princípio sobre uma proposta para pôr fim ao confronto entre o grupo xiita e Israel, informaram ontem funcionários libaneses citados pela TV CNN.PlanoSegundo as fontes, o plano, acertado na noite de sexta-feira, prevê um cessar-fogo imediato, o reforço da presença militar internacional no sul do Líbano - região que passaria a ser controlada pelo Exército libanês -, a libertação de libaneses mantidos em prisões de Israel e a devolução, pelo Hezbollah, de dois soldados israelenses - cuja captura, no dia 12, desencadeou a atual ofensiva militar de Israel no Líbano. A proposta pede ainda negociações sobre as Fazendas de Shebaa, ocupadas por Israel e exigida pelo Líbano.Funcionários do alto escalão do governo libanês - do qual o Hezbollah faz parte - afirmaram que o grupo aceita o cessar-fogo e a presença militar internacional no sul do Líbano, mas se opõe a uma ?força robusta? de manutenção da paz. O Hezbollah só aceita a expansão da Unifil, a atual força de paz da ONU no sul do Líbano.Segundo as fontes da CNN, o Hezbollah não concordou especificamente em se desarmar, como Israel vinha exigindo. Mas o plano prevê que o Exército libanês assuma o controle do sul do Líbano, ao lado da força de paz, indicando que a milícia xiita deixaria de operar na área, de onde lança ataques contra Israel.Aumentando as esperanças de paz, um funcionário da chancelaria israelense disse à Reuters que Israel não exige o desarmamento imediato do Hezbollah e por ora defende, em vez disso, a presença de uma força de paz que afaste o grupo da fronteira e o impeça de obter foguetes da Síria e do Irã. Ele disse que Israel busca um acordo para ?iniciar o processo de implementação? da Resolução 1559 da ONU, que pede o desarmamento do Hezbollah. Mas acrescentou: ?O desarmamento não será parte do mandato da missão (da força de paz).?O líder do Hezbollah, Nassan Nasrallah, confirmou a existência do plano de paz e prometeu cooperar com o governo libanês. Ele disse que o grupo não vai considerar o desarmamento se Beirute fizer concessões sobre a proposta.

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