Cesta básica na Venezuela custa três salários mínimos

Instituto de pesquisa diz que quase oito milhões de pessoas não recebem o suficiente no país para adquirir o produto

O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 18h28

CARACAS - A alta inflação na Venezuela foi alvo de novas críticas no país. O Centro de Documentação e Análise Social (Cendas) realizou uma pesquisa e divulgou ontem que os venezuelanos precisam de 3,2 salários mínimos para conseguirem comprar uma cesta básica no país.

"Isso mostra que a inflação está descontrolada e o governo terá que ver como enfrentar a situação porque não pode continuar colocando a culpa no império americano", afirmou o diretor do Cendas, Óscar Mesa, à rádio privada Unión Radio. O Cendas é uma instituição não governamental que realiza estudos sobre a qualidade de vida e condições de trabalho na Venezuela.

Desde maio, o salário mínimo no país é de 4.251,78 bolívares, após o aumento de 30% aplicado pelo presidente Nicolás Maduro. Somando outros benefícios, a renda mínima do venezuelano é de 5.602,78 bolívares, cerca de US$ 112, pelo câmbio oficial chamado de Sicad II, que determina a conversão de 50 bolívares a cada US$ 1.

O custo básico do venezuelano, acrescentando à alimentação outros fatores como eletricidade e gastos com aluguel, educação e transporte, é de 5,7 salários mínimos, ou seja, 24.541,63 bolívares, acrescenta o Cendas.

Segundo Mesa, citando dados oficiais do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), 60% dos trabalhadores formais no país ganham um salário mínimo. "Isso quer dizer que quase oito milhões de pessoas não podem comprar a cesta básica", afirmou o diretor.

O aumento do salário mínimo em maio, que acabou causando um aumento anual de 43%, foi uma tentativa de Caracas para combater a inflação de 2013, que foi de 56,2%, segundo o Banco Central.

O governo também precisou combater a prática especulativa do aumento de preços de produtos, fixados com base na cotação de 100 bolívares por US$ 1 do mercado paralelo, o que diminui o poder de compra do salário mínimo.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor teve uma alta de 63,4% entre agosto de 2013 e agosto deste ano.

Mídia. Também em razão da crise econômica, o jornal venezuelano Tal Cual anuncia que só tem papel para circular por mais nove dias. No começo do mês, o diário anunciou que desde fevereiro, quando a estatal Complexo Editorial Alfredo Maneiro passou a monopolizar a importação de papel-jornal, não conseguiam comprar o produto ou enfrentavam dificuldades para adquiri-lo.

No final da capa do jornal, é publicado uma contagem regressiva para o fechamento da edição impressa. "Nos restam 9 dias de papel", diz o texto em uma tarja amarela.

Na segunda, Maduro nomeou Jaqueline Faría como nova ministra de Comunicação e Informação. Engenheira, a nova ministra foi presidente da Hidrocapital durante dois mandatos do ex-presidente Hugo Chávez, ministra do Meio Ambiente e governadora de Caracas.

Maduro não explicou o motivo da mudança, mas afirmou que a antiga ministra, Delcy Rodríguez, "fortaleceu" o sistema de comunicação estatal.

 

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