Cesta básica na Venezuela custa três salários mínimos

Instituto diz que quase 8 milhões de pessoas não recebem o suficiente no país para comprar produtos básicos

CARACAS , O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2014 | 02h02

Uma pesquisa recente do Centro de Documentação e Análise Social (Cendas), que realiza estudos sobre a qualidade de vida e condições de trabalho na Venezuela, mostra que os venezuelanos precisam de 3,2 salários mínimos para comprar uma cesta básica. "Isso mostra que a inflação está descontrolada e o governo terá de enfrentar a situação, porque não pode continuar colocando a culpa no império americano", disse Óscar Mesa, diretor da instituição.

Desde maio, o salário mínimo é de 4.251,78 bolívares. Somando outros benefícios, a renda mínima do venezuelano é de 5.602,78 bolívares (cerca de US$ 112 pelo câmbio oficial Sicad II, que determina a conversão de 50 bolívares a cada US$ 1).

O custo básico do venezuelano, acrescentando outros fatores, como eletricidade e gastos com aluguel, educação e transporte, é de 5,7 salários mínimos ou 24.541,63 bolívares, diz o Cendas. Segundo Mesa, citando dados Instituto Nacional de Estatísticas (INE), 60% dos trabalhadores formais ganham um salário mínimo. "Isso quer dizer que quase 8 milhões de pessoas não podem comprar a cesta básica", afirmou.

O aumento do salário mínimo de 30%, em maio, que determinou um aumento anual de 43%, foi uma tentativa de conter a inflação de 2013, que foi de 56,2%, segundo o Banco Central. Também em razão da crise, o jornal venezuelano Tal Cual anunciou que só tem papel para circular por mais nove dias. No começo do mês, o diário disse que, desde fevereiro, quando uma empresa estatal passou a monopolizar a importação de papel-jornal, não consegue mais comprar o insumo.

Opositor. A defesa do opositor Leopoldo López, na prisão há nove meses, pediu ontem sua imediata libertação no julgamento por crimes decorrentes dos protestos de fevereiro. O advogado Juan Carlos Gutiérrez disse que a Justiça deve acatar uma decisão do Grupo de Trabalho da ONU sobre Detenções Arbitrárias que pede a libertação de López. "Se não o liberarem hoje (ontem), devem fazê-lo amanhã (hoje)." / EFE

Tudo o que sabemos sobre:
Venezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.