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Chacina atribuída a radicais islâmicos deixa 50 mortos em escola na Nigéria

Militantes do grupo ultrarradical Boko Haram teriam invadido dormitórios de centro de ensino e massacrados alunos a tiros enquanto dormiam

O Estado de S.Paulo,

30 Setembro 2013 | 02h10

LAGOS - Em um dos mais sangrentos massacres da história recente da Nigéria, cerca de 50 estudantes de um centro de ensino agrícola, no nordeste do país, foram assassinados a tiros, aparentemente enquanto dormiam. Suspeita-se que os radicais islamistas do Boko Haram, que travam uma violenta insurgência nessa região, tenham sido os responsáveis pela chacina.

O ataque ocorreu nos dormitórios da escola de Gubja, na Província de Yobe, e teve início por volta da 1 hora, segundo o diretor da instituição, Idi Mato. "Nossos estudantes foram atacados enquanto dormiam. Eles abriram fogo contra eles", disse Mato à Associated Press. A maior parte das vítimas tem entre 18 e 22 anos.

O nordeste da Nigéria vive em estado de emergência, em meio à luta entre forças do governo, liderado pelo presidente Goodluck Jonathan, e militantes do Boko Haram. A campanha insurgente para impor um Estado islâmico - em um país onde metade da população é cristã - já matou mais de 1.700 pessoas desde 2010 e obrigou 30 mil a fugirem, principalmente para Camarões e Chade. O Boko Haram é contra a influência e a "educação ocidental" na língua haussá, idioma nativo africano com o maior número de falantes, ao lado do suaíli.

As Forças Armadas nigerianas já recuperaram 42 corpos e levaram 18 feridos para um hospital da região, segundo um oficial de inteligência que falou em condição de anonimato. Segundo um político local, ouvido pela BBC, e o próprio diretor da escola, o número de cadáveres encontrados chegou a 50 e deve aumentar.

Em entrevista ontem à noite, o presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, comparou o massacre ao ataque no shopping de Nairobi, na semana passada, que matou 67 civis (mais informações nesta página).

Um estudante que sobreviveu ao massacre, Ibrahim Mohamed, afirmou que os terroristas chegaram ao local em duas picapes de cabine dupla e motocicletas. Alguns supostamente vestiam roupas com a mesma camuflagem que a usada por militares nigerianos.

Ainda de acordo com o estudante, os militantes pareciam conhecer o local e atacaram os quatro dormitórios masculinos, mas evitaram o único exclusivo para mulheres. Mohamed disse ter sobrevivido pois conseguiu "correr para o mato".

Um outro aluno, Adamu Usman, afirmou que quase todas as vítimas, assim como a maioria dos estudantes do local, são muçulmanos. Usman ajudou a socorrer os colegas e a levá-los para o hospital após os militantes irem embora.

Parentes de alunos lotaram um necrotério para onde eram levados os cadáveres das vítimas, tentando buscar informações. Eles faziam fila no lado de fora aguardando o momento de entrar para ver se identificavam algum dos corpos.

Segundo o diretor Mato, cerca de mil estudantes conseguiram fugir a tempo do massacre. Ele afirmou que a escola não tinha recebido nenhum tipo de proteção das forças de segurança nigerianas, embora o governo tivesse prometido enviar soldados e policiais. Há duas semanas, o comissário para educação da região, Mohamed Lamin, havia convocado uma entrevista coletiva na qual exortou todas as escolas da província a reabrir, garantindo que sua proteção seria mantida pelas Forças Armadas e policiais.

A maior parte das escolas e demais centros de ensino havia decidido fechar as portas após 29 alunos e um professor terem sido assassinados por militantes, em julho. Algumas das vítimas foram queimadas vivas. / AP

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