Chacina não antecipa saída, diz Obama

O massacre por um sargento do Exército americano de 16 civis afegãos - incluindo 9 crianças e 3 mulheres -, no domingo, não antecipará o calendário de retirada das tropas dos EUA. O aviso foi dado ontem pelo presidente Barack Obama, que qualificou a chacina de "trágica" e "devastadora".

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2012 | 03h01

O cronograma dos EUA, que prevê uma saída gradual de seus 100 mil homens até o final de 2014, será mantido.

O sargento, cujo nome não foi revelado, está sob custódia do Exército americano e será processado pela Justiça militar. Autoridades de Washington garantiram que, diferentemente do que relatam testemunhas, o militar agiu sozinho. O secretário de Defesa, Leon Panetta, disse que o militar pode ser condenado à morte.

Em entrevista a uma rede de TV estadual da Flórida, Obama afirmou estar chocado com a violência do soldado, mas reforçou que o massacre não alterará os planos de retirada. Ele criticou a comparação da chacina do domingo com o infame massacre de My Lai, de 1968, quando entre 300 e 500 vietnamitas foram mortos por uma unidade de infantaria americana.

Segundo informações das forças americanas reveladas pouco após o massacre em solo afegão, o sargento teria caminhado quase dois quilômetros até um vilarejo em uma zona rural, onde abriu fogo indiscriminadamente. Ele empilhou os cadáveres, incluindo os de 4 meninas de menos de 6 anos, e ateou fogo nos corpos, segundo testemunhas.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, declarou que o massacre "não muda o compromisso firme dos EUA de proteger o povo afegão". A retirada das tropas dos EUA e seus aliados já estava na agenda da reunião de cúpula da Otan, marcada para abril, em Chicago. A Grã-Bretanha quer se retirar o quanto antes, por pressões fiscais domésticas. Outros países, como o Canadá, já repatriaram suas forças.

"Fiquei chocada e triste com a morte de afegãos inocentes. Isso não representa quem somos e os EUA estão comprometidos em fazer os responsáveis prestarem contas", afirmou Hillary. "Esse terrível incidente não muda nossa firme determinação de proteger o povo afegão e fazer tudo o que pudermos para construir um Afeganistão forte e estável."

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