Rahmat Gul/AP
Rahmat Gul/AP

Chacina não antecipa saída do Afeganistão, diz Obama

Presidente lamenta massacre de 16 civis, mas avisa que plano de retirada das tropas do território afegão não será alterado

Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE / WASHINGTON,

12 de março de 2012 | 21h07

WASHINGTON - O massacre por um sargento do Exército americano de 16 civis afegãos - incluindo 9 crianças e 3 mulheres -, no domingo, não antecipará o calendário de retirada das tropas dos EUA. O aviso foi dado ontem pelo presidente Barack Obama, que qualificou a chacina de "trágica" e "devastadora".

O cronograma dos EUA, que prevê uma saída gradual de seus 100 mil homens até o final de 2014, será mantido.

 

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O sargento, cujo nome não foi revelado, está sob custódia do Exército americano e será processado pela Justiça militar. Autoridades de Washington reuniram-se ontem com aliados da Otan e garantiram que, diferentemente do que relatam testemunhas, o militar agiu sozinho.

Em entrevista a uma rede de TV estadual da Flórida, Obama afirmou estar chocado com a violência do soldado, mas reforçou que o massacre não alterará os planos de retirada. O presidente criticou a comparação da chacina do domingo com o infame massacre de My Lai, de 1968, quando entre 300 e 500 vietnamitas foram mortos por uma unidade de infantaria americana.

Segundo informações das forças americanas reveladas pouco após o massacre em solo afegão, o sargento teria caminhado quase dois quilômetros até um vilarejo em uma zona rural, onde abriu fogo indiscriminadamente. Ele empilhou os cadáveres, incluindo os de 4 meninas de menos de 6 anos, e ateou fogo nos corpos, segundo testemunhas.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, declarou que o massacre "não muda o compromisso firme dos EUA de proteger o povo afegão". A retirada das tropas dos EUA e seus aliados no Afeganistão já estava na agenda da reunião de cúpula da Otan, marcada para abril, em Chicago. A Grã-Bretanha pretende se retirar o quanto antes, por pressões fiscais domésticas. Outros países, como o Canadá, já repatriaram suas forças.

"Fiquei chocada e triste com a morte de afegãos inocentes. Isso não representa quem somos e os EUA estão comprometidos em fazer os responsáveis prestarem contas", afirmou Hillary. "Esse terrível incidente não muda nossa firme determinação de proteger o povo afegão e fazer tudo o que pudermos para construir um Afeganistão forte e estável."

 

Atirador tem 30 anos e serviu 3 vezes no Iraque

 

O sargento do Exército americano que executou 16 civis afegãos, cujo nome é mantido em sigilo pelo Pentágono, tem 30 anos e já serviu três vezes na Guerra do Iraque. Essa era sua primeira passagem pelo Afeganistão, onde atuava no grupo de proteção aos membros das Forças Especiais.

"Acreditamos que ele era um soldado solitário que se envolvera em missões profundamente trágicas", afirmou porta-voz do Pentágono, George Little. "Esse é um incidente isolado e nós vamos buscar a punição para as ações desse soldado."

O Pentágono rejeitou o apelo de parlamentares afegãos para julgá-lo no país e afirmou que esperará o fim das investigações para processá-lo. Em 2005, 7 dos responsáveis pelo massacre de 24 civis em Haditha, no Iraque, foram inocentados e 8, condenados a 90 dias de prisão.

A corte marcial americana prevê a pena capital, mas a ordem de execução de militares tem de ser assinada pelo presidente. O país não é signatário do Tribunal Penal Internacional, o que impede que seus militares sejam processados no exterior.

 
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