Joaquin Sarmiento/AFP
Joaquin Sarmiento/AFP

Chacinas aumentam pressão sobre governo da Colômbia

Com o assassinato de três jovens no fim de semana, país registra sete massacres com 37 mortos em duas semanas

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2020 | 22h48

BOGOTÁ - O ressurgimento da violência na Colômbia tem colocado pressão sobre o governo do presidente Iván Duque. Foram sete massacres em duas semanas, com 37 mortos, que mostram a ausência do Estado nas áreas mais atingidas pelo conflito armado.

A espiral de violência começou no dia 11 de agosto com uma chacina em um subúrbio da cidade de Cali. Cinco adolescentes entre 14 e 15 anos de idade foram assassinados. As vítimas mais recentes foram três jovens, um deles menor de idade, baleados no domingo em Veneza, cidade do Departamento de Antioquia. 

“Neste ano, na Colômbia, já são mais de 36 chacinas, a última delas em Veneza. O que mais dói é a indiferença de todos nós diante da dor”, disse nesta segunda-feira, 24, Carlos Alberto Arcila Valencia, diretor da Corporação Humanitária de Justiça ao Direito.

Até o momento ninguém sabe quem são os autores dos massacres. O governo de Duque joga a culpa no narcotráfico, enquanto a oposição atribui as chacinas ao rompimento do acordo de paz, assinado em novembro de 2016, com os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). “A crise de direitos humanos está ligada ao rompimento do acordo”, disse o senador Iván Cepeda, do Pólo Democrático Alternativo (PDA), partido de esquerda.

Segundo o Cepeda, as chacinas são um fenômeno que se soma ao “aumento exponencial de assassinatos” de líderes sociais e de guerrilheiros desmobilizados das Farc. “Isso se repete de forma preocupante em diferentes partes do país e parece responder ao mesmo padrão: massacres cometidos contra a população civil, especialmente contra os jovens.”

O ministro da Defesa, Carlos Trujillo, disse na segunda-feira que “onde há cocaína, há morte e destruição”. Segundo Trujillo, nos municípios produtores de coca, a taxa de homicídios é o dobro da média nacional. 

“As chacinas dos últimos dias têm um denominador comum: o tráfico de drogas. As organizações ilegais responsáveis por esses massacres são as mesmas de sempre, as Farc, o ELN (Exército de Libertação Nacional), narcotraficantes de diferentes nomes e tipos”, disse o ministro.

Como o crime organizado é o responsável pelas chacinas, segundo Trujillo, o governo está preparando a retomada da fumigação de aéreas produtoras de coca, suspensa há cinco anos – a medida, porém, precisa ser autorizada pela Justiça. “É preciso dizer com clareza, cumprindo as    exigências do Tribunal Constitucional, que a pulverização aérea é agora mais necessária do que nunca para reduzir as colheitas ilícitas”, disse o ministro.

Reação

A resposta do governo de Duque à onda de violência tem sido muito criticada pela opinião pública em razão da falta de empatia com as vítimas. O presidente tem se referido a elas simplesmente como “assassinatos coletivos”.

“Com Duque, os assassinatos e as chacinas se tornaram de novo parte da paisagem, mas também números e estatísticas. Em dois anos, voltamos ao passado”, disse Juan Fernando Cristo, ministro do Interior no governo do antecessor Juan Manuel Santos.

Na segunda, para homenagear as vítimas dos ataques, a Corporação Humanitária de Justiça ao Direito realizou um velório simbólico na Praça Botero, em Medellín, montando oito caixões brancos, um para cada chacina ocorridas nas últimas duas semanas, e outro para o restante das vítimas da violência, alguns cobertos com a bandeira colombiana. / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.