Chade acusa Sudão de fazer 'limpeza étnica em Darfur'

País recebeu cerca de dez mil refugiados adicionais de Darfur nas últimas semanas

Efe,

27 de fevereiro de 2008 | 01h03

O ministro das Relações Exteriores do Chade, Ahmad Allam-Mi, acusou nesta terça-feira, 26, o Sudão de fazer "uma limpeza étnica" em Darfur que desestabilizou toda essa região da África. Allam-Mi afirmou que seu país recebeu cerca de dez mil refugiados adicionais de Darfur nas últimas semanas, por causa da recente ofensiva do Exército sudanês contra povoações civis próximas à fronteira. "O Sudão realiza uma limpeza étnica em Darfur, mas não quer admitir", disse o ministro em entrevista coletiva posterior à sua reunião com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. O responsável da diplomacia chadiana disse esperar que a força militar da União Européia (UE) que deve ser enviada em março a seu país e à vizinha República Centro-Africana ajude a "dissuadir o Sudão de enviar mais refugiados". O contingente de 4.300 soldados tem como missão proteger os centenas de milhares de refugiados de Darfur agrupados no leste desses dois países e facilitar o trabalho humanitário das Nações Unidas e das ONGs no terreno. Allam-Mi afirmou que as ondas de refugiados e a ofensiva de rebeldes chadianos que no início de fevereiro quase tomou N'djamena fazem parte de uma estratégia de Cartum para desestabilizar seu país. "O Sudão faz o que lhe dá vontade dentro de suas fronteiras e agora permite que o conflito e a desestabilização transbordem por toda a região", indicou. O Governo chadiano culpa o Sudão de criar e alimentar o movimento rebelde que desde 2003 tenta derrubar o presidente Idriss Deby. Desaparecimento de opositores O ministro chadiano disse que seu Governo "tentará lançar tanta luz quanto for possível" sobre a situação de dois líderes opositores cujo desaparecimento foi denunciado pela UE. Ele reiterou que um deles, Ngarlejy Yorongar, se encontra com vida em N'djamena e espera-se que em breve dê declarações públicas sobre sua situação. Quanto ao outro, Ibni Oumar Mahamat Saleh, não forneceu outros detalhes sobre seu paradeiro. Allam-Mi negou que as autoridades estivessem por trás de seu desaparecimento e lembrou que a ofensiva rebelde deixou a capital chadiana "na anarquia", por isso muitas pessoas fugiram e outras "puderam aproveitar para ajustar contas pessoais". Segundo ele, o Governo "não tem nada a esconder" em matéria de direitos humanos, e convidou a comunidade internacional a participar de uma comissão recém-criada para investigar este tipo de caso. Ao mesmo tempo, confirmou que N'djamena mantém conversas "secretas" com membros dissidentes dos grupos rebeldes que "responderam à mão estendida do presidente". "O Chade não conseguirá se defender das agressões externas se não alcançar a união nacional, e isso é o que o Sudão tenta evitar", acrescentou.

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