Chade indicia seis franceses acusados de seqüestro de crianças

Voluntários de ONG respondem pela tentativa de levar 103 crianças ilegalmente para adoção na França

Efe,

10 de dezembro de 2007 | 11h52

Um juiz do Chade decidiu nesta segunda-feira, 10, enviar a julgamento seis voluntários franceses acusados de tentativa de seqüestro de 103 crianças no Chade, enquanto decidiu não dar seguimento ao caso contra os sete espanhóis tripulantes do avião contratado pela ONG Arca de Zoé para a operação.   Os europeus foram presos na cidade de Abéché, perto da fronteira com a região de Darfur no Sudão, quando tentavam transportar de avião as crianças, entre um e 10 anos de idade, sob a justificativa de que os menores seriam "órfãos de guerra" e seriam levados para a adoção de famílias francesas. Posteriormente, descobriu-se que a maioria delas vinha de famílias com pelo menos pai ou mãe vivos, na violenta fronteira entre Chade e Sudão.   A advogada dos voluntários Céline Lorenzon assegurou à emissora France Info que, além dos espanhóis, a suspensão afeta os três jornalistas franceses que tinham sido detidos inicialmente.   Em 25 de outubro, as autoridades chadianas abortaram a tentativa da ONG Arca de Zoé de tirar do país 103 crianças. Após vários dias de detenção, foram libertados os sete tripulantes espanhóis e os três jornalistas franceses. Todos eles ficam agora exonerados definitivamente do caso, já que a Justiça não encontrou provas de que tenham cometido crime algum.   No entanto, foram processados por tentativa de seqüestro os seis ativistas da ONG, assim como três chadianos e um sudanês. A Justiça considera os acusados envolvidos na trama para tirar as crianças do país.   Após o anúncio da decisão, a advogada Lorenzon se disse "decepcionada" por entender que os processados são "pessoal humanitário que não cometeu crime algum". Ela acredita que conseguirá provar a inocência de seus clientes no processo, que poderia começar nos próximos dias.   Segundo a legislação chadiana, os acusados podem ser condenados a uma pena de entre cinco e vinte anos de trabalhos forçados.   Os seis voluntários franceses decidiram no sábado iniciar uma greve de fome para protestar contra a ação da justiça, que consideram parcial, e afirmar sua inocência.

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