Chade: ONGs buscam origem de crianças

Menores que seriam levados à Europa talvez nunca voltem para suas famílias

Afp e Efe, O Estadao de S.Paulo

03 de novembro de 2007 | 00h00

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) afirmou ontem que algumas das 103 crianças africanas que a ONG francesa Arca de Zoé tentou retirar do Chade podem não retornar às suas famílias por causa da confusão nos dados sobre suas origens. O CICV, que está liderando os esforços para repatriar as crianças, afirmou que está tendo dificuldades para localizar a origem delas - a maioria das quais veio da conflagrada região de Darfur.A porta-voz do CICV em Abéché, Inah Kaloga, disse que algumas crianças do grupo - que têm entre 1 e 10 anos - ainda nem sequer sabem falar, o que pode tornar impossível o repatriamento.O CICR e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) estão entrevistando as crianças para descobrir de onde elas são e quem são seus pais. Um dos casos mais difíceis é o de uma menina de 1 ano que não tem irmãos no grupo e dificilmente conseguirá voltar para sua família. Outra dificuldade é o fato de as famílias de Darfur estarem em constante deslocamento, para fugir dos ataques de milicianos sudaneses à população muçulmana.Ontem, o Tribunal Supremo do Chade ordenou que todos os suspeitos no caso das crianças fossem transportados de Abéché, leste do país, para a capital Ndjamena, onde serão julgados. Nove cidadãos franceses (seis membros da ONG e três jornalistas) foram presos na semana passada em Abéché quando tentavam levar as crianças para a Europa de avião. Os nove foram acusados de seqüestro e fraude e podem ser sentenciados a 20 anos de trabalhos forçados. Sete tripulantes espanhóis do avião fretado pela ONG, um piloto belga e pelo menos dois chadianos também foram detidos e acusados de cumplicidade.De acordo com a ONG, as crianças são órfãs do conflito em Darfur e seriam adotadas na Europa, mas fontes do governo francês afirmam que muitas das 103 crianças são da região chadiana da fronteira com o Sudão. A Arca de Zoé afirmou que pretendia entregar órfãos de Darfur a famílias adotivas francesas e belgas. Algumas famílias disseram ter pagado mais de ? 2 mil à ONG.O advogado dos seis integrantes da entidade, Gilbert Collard, disse ontem que seus clientes agora contam com a proteção e o apoio do governo francês. "Agora temos o apoio da chancelaria francesa, que não tínhamos antes", afirmou. Segundo Collard, um pedido de libertação de todos os acusados será encaminhado ao Chade.O porta-voz da presidência francesa, David Martinon, afirmou que a prioridade do governo é conseguir a libertação dos jornalistas franceses, dos tripulantes espanhóis e do piloto belga.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.