Chade promete que Exército alcançará rebeldes no Sudão

Presidente chadiano diz que nunca perdeu o controle do país e que retorno dos rebeldes ao Sudão será difícil

Efe,

07 de fevereiro de 2008 | 10h39

O presidente do Chade, Idriss Déby, anunciou nesta quinta-feira, 7, que as forças militares de seu país perseguem os rebeldes a cerca de 600 quilômetros de N'djamena, em torno da cidade de Mongo. "Confirmo que os alcançaremos" e que "seu retorno ao Sudão será muito difícil", afirmou Déby à emissora Europe 1. O presidente chadiano acrescentou que "nunca" perdeu o controle do país. Na semana passada, rebeldes chadianos invadiram o país vindos do Sudão e entraram no sábado em N'djamena, onde entraram em violento conflito com as forças governamentais durante dois dias, até serem expulsos por elas. Na quarta-feira, 6, um porta-voz dos rebeldes afirmava que estavam a cerca de 30 quilômetros de N'djamena - outros dizem 70 quilômetros - "se reorganizando" e esperavam a chegada de uma coluna de reforços, que estaria a cerca de 600 quilômetros da capital. Déby aproveitou para fazer um pedido "solene" à União Européia e à França para que seja posicionada o mais rápido possível a força Eufor (força militar da UE), que, ao leste do Chade e na República Centro-Africana, deve proteger refugiados da província sudanesa de Darfur e deslocados chadianos. O desdobramento da Eufor foi temporariamente suspenso na semana passada devido à ofensiva rebelde no Chade. O chefe de Estado pediu o desdobramento da Eufor "o mais rápido possível para aliviar o peso" que carregam hoje: "Tomar conta de 300 mil refugiados sudaneses e 170 mil chadianos, uma grande responsabilidade que os enfraquece muito". "Seria útil se a Eufor já estivesse instalada, porque eu teria a possibilidade de desmontar as unidades que estão na fronteira fazendo esse papel", explicou. Perguntado pelas ameaças dos rebeldes de lançar um novo ataque e receber reforços, o presidente do Chade disse que "não é impossível", já que o Sudão, que "formou, equipou e dirigiu mercenários de várias nacionalidades, incluindo chadianos", voltará a tentar desestabilizar seu país. "Como a comunidade internacional não diz nada contra o Sudão e como a União Africana (UA) faz uma 'política de avestruz', por não deixar claro que evita apontar o agressor", o Sudão teve "uma espécie de apoio para desestabilizar o Chade e toda a subregião", denunciou o presidente chadiano. Ele afirmou ainda que o Sudão possui "estratégia, filosofia política e meios, com os quais tentará atingir seu objetivo" de acabar com seu governo e levar o Chade a "uma guerra civil". Apesar de ter ressaltado que "pela primeira vez em três anos, França e Líbia junto com outros dois países africanos" conseguiram que a Presidência do Conselho de Segurança da ONU aprovasse uma declaração na qual "pede à comunidade internacional que ajude o Chade", ele criticou o fato de o pedido não ter sido oficializado como uma "resolução". Também defendeu o interesse da comunidade internacional em salvar os habitantes de Darfur, "ameaçados em sua existência", e disse que "o Chade está disposto a auxiliar" os que "querem ajudar os refugiados sudaneses e os deslocados chadianos". Confirmou que a França sugeriu que ele se transferisse para uma base com sua família, o que não foi feito porque, em sua opinião, abandonar o palácio presidencial teria sido "entregar o país a bandidos islamitas". Déby ainda negou que os soldados franceses tenham atuado "diretamente no terreno em conjunto com o Exército chadiano", mas disse que, conforme os acordos de 1976, a França deu ao Chade "elementos de informação extremamente importantes e úteis" que o ajudaram. O presidente disse que utilizou "todo o material para a defesa da pátria", incluindo os quatro velhos helicópteros de fabricação russa de seu exercito pilotados por russos, ucranianos e mexicanos. Déby pediu aos chadianos que fugiram e estrangeiros evacuados que voltem e "retomem suas atividades sem medo".

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