Chade protesta contra seqüestradores franceses de crianças

Grupo é indiciado por tentar levar ilegalemente 103 menores do país para adoção na França

REUTERS

31 de outubro de 2007 | 12h40

Gritando "não ao tráfico de escravos, não ao tráfico de crianças", moradores do Chade protestaram nesta quarta-feira, 31, contra um grupo francês acusado de tentar levar crianças do país no centro da África para a Europa ilegalmente. Várias pessoas reuniram-se do lado de fora da sede do governo, na cidade ao leste de Abeche, onde nove franceses e sete espanhóis foram detidos na semana passada ao tentar embarcar 103 crianças em um avião que as transportaria para fora do país. "Não podemos aceitar esse ato de barbárie, de vandalismo. Seja no século 8 ou no século 20, não deveria existir esse tipo de ato na África", gritou um manifestante. Os franceses detidos integram um grupo chamado Arca de Zoé. A organização afirma desejar entregar a famílias européias órfãos de 3 a 10 anos de idade vindos de Darfur, uma região sudanesa assolada pela guerra. O escândalo provocou indignação entre os chadianos, e muitos deles passaram a questionar os motivos pelos quais grupos de ajuda humanitária atuam na fronteira do Chade com o Sudão, junto dos que fugiram dos conflitos em Darfur. Na esperança de encontrar seus filhos, famílias de crianças desaparecidas no leste do Chade, um país também atingido por conflitos e no qual estão 230 mil refugiados sudaneses, chegaram ao orfanato onde foram colocados os 103 menores de idade. "Posso garantir a vocês que o governo do Chade está ciente de suas reclamações e está adotando todas as medidas judiciais necessárias para investigar a questão", disse à multidão Tourka Ramadan Karo, governador de Abeche. O escândalo representa um motivo de embaraço para a França, tradicional aliado do presidente chadiano, Idriss Deby. As autoridades do Chade acusaram os franceses, entre os quais dois jornalistas, de sequestro e fraude, o que significa que podem ser condenados a penas de 5 a 20 anos de prisão com trabalhos forçados. Os sete tripulantes espanhóis do avião alugado para a operação estão sendo acusados de terem colaborado com o crime, junto com dois chadianos, afirmaram autoridades da cidade fronteiriça de Tine, ao norte de Abeche. Não se sabe ainda onde os acusados serão julgados.

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