AFP PHOTO / Philippe LOPEZ
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Champs-Elysée reabre e tenta voltar à rotina após ataque

Parisienses temem que ataque da quinta-feira possa ter impacto inesperado no 1º turno da eleição presidencial

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

21 Abril 2017 | 20h54

Doze horas depois de ser palco de cenas de pânico e de ser isolada pela polícia, a Avenida Champs-Elysées voltou ao normal no início da manhã desta sexta-feira, 21, deixando para trás o atentado que deixou um policial morto. Durante toda a madrugada, agentes de perícia e das forças de ordem se mobilizaram para retirar do local o automóvel Audi utilizado pelo assassino, e o furgão da polícia alvo de seus disparos. Com o nascer do sol e a reabertura ao trânsito, parisienses e turistas estrangeiros retomaram as compras, como se nada, ou quase, tivesse acontecido.

A reportagem do Estado esteve no local em dois momentos, pela manhã e no meio da tarde. Entre ambos, a homenagem prestada ao policial morto cresceu, assim como a presença da imprensa francesa e internacional no local. Mas, a despeito da presença constante de algumas dezenas de curiosos que passaram ou visitaram a Champs-Elysées para ver onde as cenas de violência se passaram, pouca gente demonstrou comoção. 

Entre os curiosos, vários traziam depoimentos sobre a noite anterior. Sami Balkher, de 44 anos, professor de física e química, contou que estava na avenida desde as 15 horas na quinta-feira, depois de ter deixado o trabalho mais cedo. “Quando cheguei, observei que havia mais policiais do que de hábito. Pensei que fosse porque houve a ameaça de atentado em Marselha na semana passada e me disse que era norml”, contou.

Segundo ele, por volta das 17 horas um helicóptero da polícia militar começou a sobrevoar a região, o que o deixou mais intrigado. “Às 20h30, fui ao McDonalds para carregar meu celular e às 21 horas as pessoas começam a entrar correndo dizendo que havia uma tentativa de assalto na Champs-Elysées. Nesse momento disse a mim mesmo que não era uma tentativa de assalto, mas um atentado.”

Eleição. Entre as pessoas que visitaram o local do atentado, uma das preocupações é o impacto do crime nas eleições de amanhã. Quentin Cazuc, de 29 anos, estudante do último ano de administração, teme que a candidata do partido de extrema direita Frente Nacional, a nacionalista Marine Le Pen, possa ser beneficiada pelo clima de medo que por ventura venha a tomar conta da opinião pública. “O resultado da eleição presidencial já era incerto, e esse atentado não vai resolver as coisas para melhor”, lamenta.

Português de 67 anos, dos quais 46 vivendo na França, Manuel Ferreira foi um dos muitos estrangeiros que visitou a Champs-Elysées ontem. 

“Acho que o atentado pode ter implicações na eleição presidencial, mas não tenho certeza”, disse. “O atentado pode ajudar a Frente Nacional, mas penso que eles não vencerão. Em 2002 já não ganharam. Agora talvez passem para o segundo turno, mas como em 2002 vai haver uma união para derrotá-la.”

O panorama para o primeiro turno eleitoral, dizem as pesquisas, está indefinido. 

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