Chance de ativista chinês levar o Nobel da Paz preocupa Pequim

Figura de Liu Xiaobo, um dos favoritos ao prêmio, divide defensores dos [br]direitos humanos, dentro e fora da China

Andrew Jacobs, Jonathan Ansfield / THE NEW YORK TIMES / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2010 | 00h00

Às vésperas da concessão do Prêmio Nobel da Paz, o turbilhão usual de especulações sobre o ganhador corre solto, com muitos defensores de direitos humanos questionando o fato de um dissidente chinês encarcerado, Liu Xiaobo, ser o favorito.

Se for escolhido, Liu, um ex-professor de literatura que passou os últimos 20 anos entrando e saindo de prisões chinesas por defender uma reforma democrática, seria o primeiro cidadão da China a receber o prêmio.

A perspectiva claramente alarmou Pequim, tanto que o diretor do Instituto Nobel disse, na semana passada, que uma autoridade chinesa de alto escalão o havia advertido de que uma decisão dessas "coloraria as cordas erradas nas relações entre a Noruega e a China".

A ideia de escolher Liu, porém, também provocou objeções de um contingente muito mais surpreendente: alguns de seus colegas ativistas. Nos últimos dias, 14 dissidentes chineses no exterior, muitos deles exilados calejados dispostos a derrubar o Partido Comunista, têm pedido ao comitê do Nobel que não concedam o prêmio a Liu, que seria um "laureado inadequado".

Em carta, os signatários acusaram Liu de difamar colegas ativistas, abandonar membros perseguidos do movimento espiritual Falun Gong e ser brando com a liderança chinesa.

"Sua louvação aberta nos últimos 20 anos ao Partido Comunista Chinês, que nunca deixou de espezinhar os direitos humanos, foi extremamente enganosa e influente", diz o texto.

A carta e o discurso ofensivo dos detratores enfureceram muitos defensores dos direitos humanos, dentro e fora da China, para os quais a atitude distorce o histórico de Liu como proponente de longa data de uma transformação pacífica no país.

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