Reprodução/freesakineh.org
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Chancelaria do Irã garante que não há sentença definida contra Sakineh

Na terça, procurador disse que iraniana foi condenada à forca por participar da morte do marido

Efe

28 de setembro de 2010 | 08h04

TEERÃ - O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, assegurou nesta terça-feira, 28, que ainda não há uma sentença fixada definitivamente contra Sakineh Mohamamdi Ashtiani, a mulher acusada de adultério e cumplicidade no assassinato de seu marido, embora ressaltou que já foi provado que ela participou do crime.

 

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As palavras de Mehmanparast contradizem declaração feita na segunda-feira à noite pelo procurador-geral do Estado e porta-voz do Poder Judiciário, Gholam Hussein Mohseni Ejei, que afirmou que Sakineh já tinha sido condenada à morte pelo assassinato do marido, e por isso seria levada à forca.

 

"De acordo com a decisão do tribunal, foi acusada de assassinato e a pena por este delito tem preeminência sobre o outro, de adultério", disse Ejei, em declarações divulgadas pela agência de notícias local Mehr.

 

Se confirmada a declaração, Sakineh deixaria de ser apedrejada (por conta do adultério), já que a Jurisprudência iraniana prevê o enforcamento como pena para os assassinos.

 

No entanto, Mehmanparast afirmou nesta terça-feira, durante sua entrevista coletiva semanal, que "os dois casos seguem sob revisão e o veredicto será pronunciado após o fim da investigação". "Já foi provado que ela participou do assassinato de seu marido, mas a sentença definitiva será anunciada no final do processo judicial", explicou.

 

Sakineh foi condenada em 2006 por manter relações ilícitas com dois homens após ficar viúva, o que, segundo a lei islâmica, também é considerado adultério. Primeiramente a pena foi de 99 chibatadas, depois convertida em morte por apedrejamento e, posteriormente, em enforcamento. Conforme disse Mehmanparast, os casos estão sendo revistos.

 

Em julho deste ano, seu advogado Mohammad Mostafaei tornou público o caso em um blog na internet, o que chamou a atenção da comunidade internacional. Perseguido pelas autoridades iranianas, ele fugiu para a Turquia, de onde buscou asilo político na Noruega.

 

O governo brasileiro ofereceu refúgio a Sakineh, o que foi rejeitado por Teerã. A pena de morte foi mantida por um tribunal de apelações, que acrescentou ao caso a acusação de conspiração para a morte do marido.

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