Chanceler alemã diz que tecnologia nuclear é transitória

A chanceler alemã Angela Merkel disse hoje que o quanto antes a Alemanha abandonar a energia nuclear, melhor. Mas ela destacou que essa fonte de energia ainda é necessária como uma tecnologia "tampão" para a maior economia da Europa.

AE, Agência Estado

23 de março de 2011 | 17h55

A lição que a Alemanha deve aprender com a crise nuclear no Japão é que "o quanto antes sairmos, melhor. A tecnologia nuclear é uma tecnologia transitória", disse Merkel durante uma conferência financeira em Frankfurt.

Merkel também expressou seu apoio à decisão tomada pela União Europeia, na semana passada, de submeter os 143 reatores nucleares do bloco a testes de estresse para assegurar que eles podem resistir a terremotos, tsunamis e ataques terroristas. "O debate deve ocorrer em bases racionais", acrescentou a líder alemã, que já foi ministra do Meio Ambiente.

Na esteira da crise japonesa, a coalizão de centro-direita de Merkel decidiu impor uma moratória de três meses aos planos, aprovados no ano passado, de adiar o fechamento de usinas nucleares em mais de uma década, até meados dos anos 2030. Ela também ordenou o fechamento temporário das sete usinas nucleares alemãs mais velhas, enquanto as autoridades realizam investigações de segurança. Pelo menos uma foi desativada para sempre.

Políticos de oposição, particularmente os do Partido Verde, criticaram as medidas como eleitoreiras, já que uma importante eleição ocorre neste fim de semana em Baden-Wuerttemberg, que abriga quatro reatores nucleares.

Na semana passada, Merkel prometeu que a Alemanha vai acelerar a troca da energia nuclear para energia renovável, pedindo uma "saída controlada e cuidadosa" da energia nuclear em razão da crise japonesa. "Nós queremos atingir a era da energia renovável o mais rápido possível. Este é o nosso objetivo", disse a chanceler ao Parlamento.

Pesquisas de opinião mostram que a energia nuclear é impopular na Alemanha e protestos contra ela geralmente atraem grandes multidões. Um levantamento publicado pelo jornal Bild mostrou que 70% dos 1.122 eleitores interrogados aprovaram a decisão de desligar os reatores temporariamente. Por outro lado, 81% disseram não acreditar que a aparente virada de Merkel em relação à política nuclear é "digna de confiança". As informações são da Dow Jones.

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