EFE
EFE

Chanceler argentina renuncia ao cargo e será substituída por embaixador na França

Susana Malcorra alega 'responsabilidades familiares', diz que viverá na Espanha e terá cargo de assessora de Macri

O Estado de S.Paulo

29 Maio 2017 | 16h23

BUENOS AIRES - A ministra de Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, deixou o cargo nesta segunda-feira. Ela será substituída pelo diplomata Jorge Faurie, até agora embaixador do país na França. A notícia foi dada em entrevista coletiva juntamente com o presidente argentino, Mauricio Macri, e o chefe do gabinete de ministros, Marcos Peña. 

“Nossa chanceler nos deixa; não da equipe, mas como chanceler. Por questões estritamente pessoais vai deixar de exercer esta função tão importante”, disse Macri, acrescentando que Susana Malcorra vai se mudar para a Espanha por razões pessoais, mas permanecerá como assessora do governo. “Vamos sentir saudades, mas ela vai continuar sendo parte da equipe na Espanha, onde viverá”, disse Macri.

“Estou tomando uma decisão que tem tensões, entre o orgulho de representar meu país e minhas responsabilidades familiares em Madri”, afirmou Malcorra. “Minha família está em Madri. E há muitos anos que estamos separados, e os anos acumulam a distância, por isso tive de tomar a decisão”, argumentou.

“Minhas felicitações a Jorge Faurie, um membro da minha equipe que agora assume a máxima responsabilidade da chancelaria. Vamos estar a partir de amanhã trabalhando lado a lado. Não me cabe dúvida que será uma transição modelo”, declarou Malcorra.

Ela ocupou o cargo desde a chegada ao poder em dezembro de 2015 do presidente de centro-direita Mauricio Macri e foi uma das principais figuras da negociação em curso para um acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

A saída de Malcorra é a segunda perda de peso que o gabinete de Macri sofre desde a saída de Alfonso Prat-Gay do Ministério da Fazenda, em dezembro.

“O presidente me pediu para formar um conselho assessor para pensar sobre o que fazer daqui para frente. Disse que há questões específicas que deseja minha participação, como a OMC”, disse Malcorra.

Ela acrescentou que enquanto Faurie não prestar juramento, no dia 12, seguirá com sua agenda e viajará para Washington na próxima semana. Antes de integrar o governo Macri, ela foi chefe de gabinete do então secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a quem aspirou suceder, sem êxito.

Engenheira, nascida na cidade de Rosário, em 1954, Malcorra teve extensa experiência no setor privado: foi executiva da filial na Argentina da empresa americana IBM e diretora-geral da Telecom Argentina. Em 2004 foi diretora adjunta do Programa Mundial de Alientação da ONU (PAM).

Faurie, de 65 anos, é embaixador em Paris desde dezembro de 2015, com a chegada de Macri à presidência. Caberá a Faurie ser o anfitrião da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em dezembro, em Buenos Aires, e do encontro do G-20, em 2018.

Ele foi vice-chanceler em 2002 durante a presidência do peronista Eduardo Duhalde. Em agosto de 2002 foi designado embaixador da Argentina em Portugal, onde permaneceu até 2013, durante boa parte dos governos de Néstor Kirchner (2003-2007) e de Cristina Kirchner (2007-2015).

Diplomata de carreira, entre os muitos cargos foi chefe de protocolo durante o governo Carlos Menem (1989-1999), ocupou a chefia do gabinete da Secretaria de Relações Exteriores (1997-98) e foi secretário de Coordenação e Cooperação Internacional entre 2014 e 2015.

Desde que iniciou sua carreira diplomática em 1976, Faurie ocupou cargos nas embaixadas da Venezuela, Jamaica, Trinidad e Tobago, Romênia, Brasil, Chile, Portugal e França. /EFE e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.