Chanceler brasileiro condena ataques a civis

Em Israel, Celso Amorim tenta servir de mediador nas negociações por um cessar-fogo

Gustavo Chacra, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2009 | 00h00

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ontem para a chanceler israelense, Tzipi Livni, que há diferenças na visão do Brasil e de Israel sobre a ofensiva contra o Hamas na Faixa de Gaza, bastante criticada pelo governo brasileiro."Nós condenamos o terrorismo, mas não podemos ficar indiferentes com a morte de civis palestinos", afirmou Amorim. O ministro disse ter mencionado ainda para Livni casos de brasileiros que estão na Faixa de Gaza e querem sair.O encontro em Jerusalém ocorreu horas depois de Amorim se reunir com o presidente sírio, Bashar Assad, e seu chanceler, Walid Muallem, em Damasco. O objetivo do governo brasileiro é servir de mediador no conflito e ajudar na obtenção de um cessar-fogo.A visita de Amorim não ganhou destaque na imprensa israelense. Apenas repórteres brasileiros e uma jornalista espanhola esperavam por ele no hotel King David, o mais elegante de Jerusalém, e no Ministério das Relações Exteriores, onde ocorreu a reunião. Em Damasco, Amorim afirmou que "as situações mais desesperadoras podem ser tratadas de forma positiva quando há vontade política", acrescentando que o Brasil tem 10 milhões de habitantes árabes - a maioria de sírios e libaneses - e uma grande comunidade judaica. Apesar de em Israel o Brasil não ter tanta importância no campo diplomático, no mundo árabe, em especial na Síria e no Líbano, as posições brasileiras são muito respeitadas. A visita de Amorim foi manchete do site da Sana, agência de notícias oficial da Síria. O governo libanês afirmou que o Brasil, por possuir a maior comunidade libanesa do mundo, poderia contribuir mais na mediação de conflitos no país.Hoje, o ministro brasileiro visita Ramallah, na Cisjordânia, onde se encontra com o premiê palestino, Salam Fayyad. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, está na Jordânia e não poderá se reunir com Amorim, que seguirá mais tarde para Amã.Brasileiros que moram em Israel organizam hoje, em Tel-Aviv, um ato diante da Embaixada do Brasil contra a declaração oficial do Partido dos Trabalhadores (PT) sobre o conflito, que foi considerada "escandalosa". O texto, assinado pelo presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini, afirma que "a retaliação contra civis é uma prática típica do Exército nazista."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.