EFE/José Jácome
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Chanceler brasileiro defende proposta de ‘plano anticrise’ feita por Maduro

Durante encontro de ministros da Unasul, Mauro Vieira elogia pedido do presidente venezuelano; representante da Venezuela, Delcy Rodríguez, será recebida hoje em Brasília

Vera Rosa, ENVIADA ESPECIAL / QUITO, O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2016 | 20h55

Os chanceleres dos 12 países que compõem a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) manifestaram nesta quinta-feira preocupação com os impactos da crise econômica mundial sobre a região, comprometeram-se com a defesa da democracia e fizeram um balanço positivo das missões eleitorais da entidade na Venezuela e em outros países, como Bolívia e Paraguai.

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, disse ter avaliado “muito bem” a proposta do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para um plano anticrise. Ele afirmou que a ideia é uma iniciativa bem-vinda. “É evidente que vimos muito bem. Houve uma diminuição do crescimento na região e estamos buscando mecanismos para promover o comércio. Tudo o que possa ajudar a integração e o desenvolvimento dos países-membros será ótimo. Se for entre os 12 países que compõem a Unasul, mais do que perfeito”, comentou ele.

Vieira defendeu a “solução pacífica” de controvérsias na Unasul e ressalvou ser necessário evitar “escaladas retóricas”. A frase foi interpretada, nos bastidores, como um apelo para o fim da tensão entre Venezuela e Argentina.

“É preciso valorizar as soluções encontradas na nossa região. No entanto, é também importante evitar escaladas retóricas que possam desvirtuar essa tradição. Creio que temos um grande acervo de conquistas e devemos continuar desenvolvendo o diálogo, o consenso e a concertação”, disse Vieira no encontro. O chanceler destacou, ainda, o compromisso consagrado na Unasul com “a institucionalidade democrática e com o Estado de Direito, a ser respeitado por todos os atores políticos.”

A reunião ocorreu em Quito, um dia depois da 4.ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), e foi convocada para fazer uma espécie de “prestação de contas” da presidência pro tempore do Uruguai na Unasul. Em abril, o comando do organismo internacional passará para a Venezuela.

Vieira tem nesta sexta-feira uma reunião, em Brasília, com a chanceler da Venezuela, Delcy Rodríguez. Ela pediu o encontro para esclarecer pontos que provocaram desconforto na relação bilateral após a vitória da oposição na eleição da Assembleia Nacional, em dezembro.

Diante das manobras promovidas por Maduro para impedir a posse de três deputados, recompor o Supremo Tribunal de Justiça e anular atos da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, o governo brasileiro divulgou no início do mês uma nota dura, que surpreendeu Caracas.

“Não há lugar, na América do Sul do século 21, para soluções políticas fora da institucionalidade e do mais absoluto respeito à democracia e ao Estado de Direito”, dizia o comunicado. Antes, em dezembro, a Argentina já cobrara da Venezuela a libertação dos presos políticos.

“A nota foi positiva, dizíamos que festejávamos as eleições”, amenizou Vieira ontem, em entrevista após a reunião da Unasul. O ministro disse que o encontro com a chanceler venezuelana será para tratar de cooperação econômica, investimentos, “coisas da agenda bilateral”.

O comunicado buscou evitar polêmicas. “Os chanceleres (…) recordaram os princípios que devem guiar a Unasul: irrestrito respeito à soberania, integridade e inviolabilidade territorial dos Estados (…), solidariedade, paz, democracia, participação cidadã e pluralismo, direitos humanos universais (…), redução das assimetrias e harmonia com a natureza para um desenvolvimento sustentável”, diz um trecho do documento.

A chanceler da Colômbia, María Angela Holguín, informou aos colegas detalhes sobre as negociações para o acordo de paz entre Bogotá e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A missão de observação para o cumprimento do cessar-fogo e foi aprovada na segunda-feira pelo Conselho de Segurança da ONU.

Tanto a Celac quanto a Unasul comemoraram o avanço das negociações. “A chanceler disse que o Brasil tem um papel importantíssimo nessa missão de desminagem (retirada de minas e explosivos). Talvez seja a maior participação nessa missão especial e estamos dispostos a apoiar o processo todo”, observou Vieira. 

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