REUTERS/Adriano Machado
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Bolsonaro quer visitar Itália, Hungria e Polônia, governados pela direita

Chanceler Ernesto Araújo viaja nesta terça-feira a esses países para promover a indústria bélica do Brasil em membros da Otan e preparar visita do presidente

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2019 | 18h14


O porta-voz da Presidência da República, general Otávio Rêgo Barros, confirmou nesta segunda-feira a intenção do presidente Jair Bolsonaro de visitar países europeus como Itália, Polônia e Hungria, governados pela direita. Mas a data da provável excursão presidencial ainda depende de acertos entre os Ministérios das Relações Exteriores dos países.

“A questão de fechar a agenda depende dos acordos da chancelaria. Está no foco essa viagem a esses países provavelmente no segundo semestre”, disse o porta-voz.

O Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, iniciará nesta terça-feira um tour por Itália, Hungria e Polônia, países com os quais buscará ampliar os negócios, principalmente na área de defesa. Ele já havia visitado a Polônia no início do ano.

No mês passado, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, visitou os governantes da Itália e da Hungria. O chanceler e o deputado já estiveram com diplomatas desses países no Brasil.

Araújo viajará a Roma entre amanhã e quarta-feira, ocasião em que manterá encontro com o vice-primeiro-ministro e ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, com a ministra da Defesa, Elisabeta Trenta, além de reuniões de trabalho com autoridades do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional, a fim de discutir os principais temas da pauta bilateral, como comércio, investimentos, cooperação e temas regionais e globais.

Brasil e Itália mantêm Parceria Estratégica desde 2007. Em 2018, houve crescimento da ordem de 7% no comércio bilateral, que superou os US$ 8 bilhões. A Itália é um dos maiores investidores individuais no país e possui mais de 1.200 empresas atuando no território brasileiro.

Além das importantes relações comerciais, os dois países possuem importantes laços históricos e culturais. Cerca de 30 milhões de brasileiros são descendentes de italianos e existem significativas comunidades de brasileiros residentes na Itália e de italianos residentes no Brasil.

Araújo também visitará o Vaticano na quarta-feira e manterá reunião com o secretário de Estado da Santa Sé, Cardeal Pietro Parolin e com o secretário de Relações com Estados da Santa Sé, Monsenhor Paul Gallagher.

Os católicos correspondem a cerca de 65% da população brasileira, o que faz com que o Brasil seja considerado pela Santa Sé o maior país católico do mundo, e onde atua o mais numeroso episcopado da Igreja. Brasil e Santa Sé possuem forte convergência na defesa da família e dos direitos humanos, da paz e da segurança internacionais e na condenação ao terrorismo. O Brasil mantém relações diplomáticas com a Santa Sé desde 1826.

Depois, o chanceler brasileiro também visitará a Hungria e a Polônia. 

Segundo porta-vozes do governo, o principal objetivo da viagem é promover a indústria de defesa do Brasil em países-membros da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan), que propôs como meta para cada sócio um gasto militar equivalente a 2% de seus orçamentos para 2024.

Nesse contexto, Araújo promoverá em particular o avião de transporte KC 390, desenvolvido em conjunto entre a Força Aérea Brasileira (FAB) e a brasileira Embraer, que pretende competir no mercado internacional com o Hércules C-130 americano. O ministro também apresentará as oportunidades de investimentos que o Brasil oferece por meio de um vasto plano de privatizaçõpes com o qual o governo pretende captar capitais tanto nacionais quanto estrangeiros.

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