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Chanceler britânico diz que UE terá ‘enorme interesse’ em fechar acordo comercial com Reino Unido

Boris Johnson rejeitou que uma eventual relação comercial com o bloco deva ter estar atrelada à ideia de permitir o livre acesso de imigrantes ao país

O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2016 | 13h57

LONDRES - O ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, afirmou nesta quinta-feira, 13, diante da comissão parlamentar de Assuntos Exteriores, que a União Europeia (UE) terá “um enorme interesse” em firmar um acordo comercial com o Reino Unido, e que é “uma loucura” pensar que a decisão deve estar atrelada à permissão da entrada de imigrantes.

Johnson, que ajudou a promover o voto “sim” no plebiscito sobre a saída britânica do bloco europeu, no processo conhecido como “Brexit”, se mostrou otimista sobre as possibilidades que a retirada da UE oferece.

Questionado sobre se o Reino Unido pretende permanecer no mercado comum, o ministro respondeu que “o fim do mercado único é cada vez mais inútil”. “Vamos conseguir o melhor acordo possível para o comércio de bens e serviços. Há muitos países que vendem de forma eficaz no mercado único e é isso que faremos”, declarou Johnson.

O político rejeitou que um eventual acordo comercial com a União Europeia deva ter estar atrelado à ideia de permitir o livre acesso de imigrantes do bloco ao Reino Unido, princípio que rege o mercado único.

“A ideia de que o movimento de cidadãos pela Europa está escrito em tábuas de pedra é uma verdadeira loucura”, disse Johnson. “Recuperaremos o controle de nossas fronteiras, como dissemos que faríamos”, insistiu ele, assegurando que isso não significará que “as pessoas com talento do mundo” não poderão residir no Reino Unido.

“Acredito que é muito importante que continuemos enviando sinais de abertura e de recepção às pessoas brilhantes do mundo que contribuem para impulsionar a economia de Londres e a economia britânica.”

O ministro negou que exista uma contradição “entre recuperar o controle das fronteiras e a necessidade de estar aberto aos talentos de todo o mundo”. Para ele - que assumiu o cargo em julho, quando a atual primeira-ministra Theresa May chegou ao poder -, o Brexit levará à “restauração da nossa democracia e do controle sobre nossas fronteiras e nossas vidas, e também trará um pouco de dinheiro”. “Mas de maneira alguma o Brexit é uma ordem para que este país se feche, recolha a ponte ou se distancie da comunidade internacional”, indicou Johnson.

O governo britânico anunciou recentemente que ativará antes do final de março de 2017 o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, dando início à negociação com Bruxelas para a saída definitiva da UE. / EFE

Veja abaixo: Londrinos protestam contra o Brexit

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