Chanceler da Itália pede demissão

Ministro deixa o cargo após Roma extraditar para a Índia 2 militares italianos acusados de homicídio no país asiático

ROMA, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2013 | 02h09

O ministro de Relações Exteriores da Itália, Giulio Terzi, demitiu-se ontem do cargo, em protesto contra uma decisão de seu governo que determinou a extradição de dois fuzileiros italianos para a Índia, onde os militares são acusados de ter assassinado dois pescadores locais, enquanto faziam segurança para um petroleiro particular, contra piratas, em fevereiro de 2012. Os acusados foram mandados de volta para o país asiático na sexta-feira.

Salvatore Girone e Massimiliano Latorre ficaram detidos após o incidente, ocorrido em águas próximas ao Estado de Kerala, no sul indiano. A situação diplomática entre os países se deteriorava, em um momento que o governo italiano tentava assegurar uma grande venda de helicópteros a Nova Délhi.

Os suspeitos - que afirmam ter disparado tiros de alerta para o que pensavam ser um navio pirata - puderam voltar à Itália no Natal e no fim do mês passado, para votar nas eleições.

No dia 11, porém, o governo de Mario Monti - de saída do poder - afirmou que não mandaria os acusados de volta para a Índia, alegando que a Justiça indiana não teria jurisdição sobre o local dos assassinatos, que Roma alegou terem ocorrido em território marítimo internacional.

Mas a Itália voltou atrás na semana passada, após a Índia ter impedido o embaixador italiano em Nova Délhi, Daniele Mancini, de deixar o país asiático. "Eu era contra enviar à Índia os fuzileiros navais, mas a minha voz não foi ouvida", disse Terzi.

Esse imbróglio diplomático depõe contra a breve gestão, de 17 meses, do primeiro-ministro Monti, que ainda ocupa a função enquanto uma nova coalizão de governo não é formada e cuja diplomacia é considerada confusa.

O premiê em funções se disse "estarrecido" pela demissão de Terzi e foi incumbido pelo presidente Giorgio Napolitano para substituí-lo interinamente na chancelaria italiana. / REUTERS

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