Carlos Barria/AP
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Chanceler da Rússia diz que acordo definitivo com o Irã está 'muito próximo'

Depois de duas prorrogações, negociações sobre programa nuclear devem ser encerradas até sexta-feira; impasse sobre comércio de armas e mísseis persiste

O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2015 | 09h45

UFA, RÚSSIA - O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou nesta quinta-feira, 9, que o acordo definitivo sobre o programa nuclear do Irã está muito próximo de ocorrer.

"Atualmente, nos aproximamos de um acordo definitivo, global, não mais provisório. Estamos perto", disse Lavrov durante a cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), realizado na cidade de Ufa, no oeste do país, que também conta com a participação do presidente do Irã, Hassan Rohani.

O chefe da diplomacia russa acrescentou que não restam "empecilhos insolúveis" nas negociações que estão sendo realizadas em Viena entre a República Islâmica e os países do P5+1 (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia, mais Alemanha).

"Confio que ninguém questionará o trabalho feito ou frustrará um acordo praticamente fechado", destacou, acrescentando que espera que a próxima reunião dos ministros das Relações Exteriores na capital austríaca seja definitiva.

Lavrov destacou que desde o início da última rodada de negociações foram registrados avanços todos os dias, apesar de insistir que não existem "prazos artificiais" para fechar o pacto.

"O importante é a qualidade do acordo, que deve garantir o regime de não proliferação das armas nucleares e os legítimos direitos do povo iraniano, assim como, claro, a segurança de todos os países da região", completou o chanceler.

A Rússia considera que a suspensão dos embargos de armas ao Irã deve ser um dos primeiros passos a serem tomados assim que o documento final for assinado. "O Irã é um partidário da luta contra o Estado Islâmico (EI) e a suspensão do embargo o ajudará a aumentar sua efetividade no combate ao terrorismo", ressaltou Lavrov.

Dúvidas. Apesar do otimismo de Lavrov, sobre um acordo capaz de resolver uma disputa que já dura 12 anos sobre os planos do país no setor nuclear, ainda havia impasse sobre comércio de armas e mísseis.

A rede estatal iraniana Press TV relatou que as conversas podem ser estendidas até 13 de julho. Uma fonte ocidental afirmou, porém, que essa possibilidade "não é verdade".

O secretário de Energia do Estados Unidos, Ernest Moniz, e o chefe nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi, se encontraram na manhã desta quinta-feira. Salehi disse a repórteres: "Com sorte hoje é o último dia". Moniz acrescentou: "Iremos resolver as últimas questões, se conseguirmos". Um diplomata sênior ocidental disse, no entanto, que era "muito duvidoso" que as conversas terminassem nesta quinta-feira.

Países ocidentais acusam o Irã de tentar produzir armas nucleares, enquanto Teerã argumenta que seu programa é pacífico. Um acordo iria depender da aceitação iraniana de conter seu programa nuclear em troca de alívio das sanções impostas pela Organização das Nações Unidas (ONU), Estados Unidos e União Europeia. / EFE e REUTERS

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