´Chanceler´ das Farc afirma que nunca renunciará à guerrilha

Rodrigo Granda rejeita pedido do governo colombiano para ser mediador ´de paz´

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

O "chanceler" das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Granda, afirmou que "nunca" renunciará à guerrilha e rejeitou o desejo do governo colombiano de fazer dele um "intermediário de paz", em declarações publicadas neste sábado, 16, pelo jornal francês Libération. Granda foi libertado, com mais de 100 membros da guerrilha, no início de mês, pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe. A decisão atendeu a um pedido expresso da França. Para Granda, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, teve "um gesto de grandeza humana" ao pedir a sua libertação. "Na certa ele pensou que eu poderia atuar no caso" dos reféns das Farc, opinou. "Mas o governo da Colômbia tinha interpretado mal o pedido de Sarkozy. Em lugar de me libertar incondicionalmente, exerceu pressões sobre mim para que eu renunciasse a meus princípios. Fui vítima de uma chantagem e meu dever era informar à França", denunciou. Ele acusou o Executivo de Uribe de tentar "dividir o movimento guerrilheiro", fazendo que ele passasse por "traidor e desertor". Perguntado sobre por que Sarkozy pediu sua libertação, respondeu que a única explicação que encontra é que o presidente francês "chegou à conclusão de que as Farc não são terroristas nem narcotraficantes", e sim um "movimento de libertação, com o qual é preciso conversar para encontrar uma solução". Granda se definiu como "combatente de base" da guerrilha e disse que sempre fez "um trabalho político". Além disso, garantiu que obedece às ordens "das Farc e do seu secretariado nacional". Ele reafirmou que não teve contato com as Farc desde sua libertação e que teme ser assassinado. "Os grupos paramilitares colombianos odeiam as Farc e não duvidam em exterminar fisicamente seus membros", comentou.

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