Chanceler de Correa promete radicalizar 'revolução' no Equador

Para ministro, isto não se opõe a consenso com a oposição; presidente nega ser autoritário

estadão.com.br,

05 de outubro de 2010 | 16h59

QUITO - O ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, disse nesta terça-feira que a rebelião policial da semana passada irá radicalizar o projeto esquerdista do presidente Rafael Correa, conhecido como 'revolução cidadã'.

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"O que se deve esperar como resultado deste episódio é a radicalização e o aprofundamento da revolução cidadã", disse o chanceler, quando perguntado da atitude do governo sobre a insurreição policial, que deixou ao menos oito mortos e 274 feridos.

De acordo com ministro, no entanto, esta radicalização não se opõe à possibilidade de buscar um consenso com a oposição.

Segundo Patiño, o governo deve tomar medidas que aprofundem a igualdade social, como o acesso dos camponeses aos meios de produção, ao crédito e à ascensão social.

"A radicalização e o aprofundamento vão acontecer porque foi o que nos trouxe até aqui e o que nos dá apoio popular", acrescentou Patiño.

Correa nega ser autoritário

Correa, por sua vez, rejeitou críticas da oposição de que seria autoritário. Em uma entrevista à uma rádio colombiana, o presidente disse seguir princípios de autoridade que respeitam a lei.

" Tem gente que me acusa de ser autoritário (...) Mas o nosso estilo de governo é totalmente apegado à lei, temos princípios de autoridade e sabemos tomar decisões", disse o presidente.

Ainda de acordo com Correa, no passado, o Equador confundia democracia com falta de autoridade.

"Temos a consciência tranquila. Seguiremos fazendo o que vínhamos fazendo. Continuaremos com nosso estilo de governar, tomando decisões com autoridade. Este país estava acostumado a fazer o que cada um tinha vontade.", concluiu.

Quartelada no Equador

Os distúrbios da semana passada deixaram ao menos oito mortos e 274 feridos. Os protestos foram causados por uma lei que corta bônus e benefícios dos policiais, aprovadas pelo Congresso com o objetivo de diminuir os gastos públicos.

Policiais e oficiais da Força Aérea ocuparam os principais quartéis do país, o aeroporto de Quito, o Congresso e bloquearam estradas de acesso a Quito e Guayaquil.

Após ir ao Regimento de Quito falar com os amotinados, Correa foi atacado com bombas de efeito moral e retido em um hospital. Ele foi resgatado horas depois em uma ação da polícia de elite. O governo declarou estado de exceção no país.

O Exército, o Congresso e o Judiciário

permaneceram leais ao presidente. A União das Nações Sul-Americanas (Unasul), a Organização dos Estados Americanos (OEA), a União Europeia (UE) e os EUA condenaram a rebelião e pediram a volta da normalidade democrática no Equador.

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Com AP e Efe

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