Chanceler de Israel ameaça derrubar líder palestino

Ministro diz que governo de Abbas em Ramallah será desmantelado por Israel se reconhecimento na ONU for adiante

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2012 | 02h06

O chanceler israelense, o ultradireitista Avigdor Lieberman, divulgou ontem um documento em que os embaixadores israelenses recebem dele instruções para passar aos governos dos países em que atuam uma ameaça clara: se os palestinos levarem adiante a manobra de tentar serem reconhecidos como Estado observador na ONU, Israel poderá destituir a Autoridade Palestina (AP), que atualmente governa a Cisjordânia, e derrubar seu presidente, Mahmoud Abbas.

O Ministério das Relações Exteriores israelense afirmou no relatório que, caso as Nações Unidas reconheçam a AP como membro não pleno, "derrubar o regime de Abbas seria a única opção". "Qualquer outra opção significaria admitir o fracasso da liderança israelense em enfrentar o desafio", diz o texto.

Segundo o documento, Israel se sentirá à vontade para anular os Acordos de Oslo, firmados na capital norueguesa em 1993, que criaram oficialmente a AP. "Oslo é um contrato e o respeito ao contrato depende da boa vontade das partes que o assinaram. Se uma parte decide romper o contrato, o acordo deixa de existir", declarou à agência de notícias EFE um funcionário do governo israelense que preferiu não se identificar.

"Se a proposta palestina for aceita pela Assembleia-Geral das Nações Unidas, no nosso entendimento, suporia a ruptura das regras (do acordo firmado entre o palestino Yasser Arafat e os israelenses Shimon Peres e Itzhak Rabin) e provocará uma resposta extrema de nossa parte", disse Lieberman, em visita ao assentamento de Ariel, na Cisjordânia, segundo informações do jornal espanhol El País.

A fonte do governo israelense afirmou que seu país entenderá a proposta palestina de reconhecimento - prevista para ser votada no dia 29 - como uma violação do princípio da bilateralidade prevista pelo pacto estabelecido na Noruega. "Oslo estabelece uma sequência de eventos: primeiro há negociações, logo um acordo; depois, a aplicação do acordo e, então, o Estado palestino poderá pedir o reconhecimento (nas Nações Unidas). Os palestinos buscam um atalho para evitar a sequência necessária e obrigatória. Parece que a mensagem (palestina) é que não é necessário negociar, não é necessário que haja um acordo (de paz)", disse o funcionário israelense.

Lior ben Dor, um porta-voz da chancelaria de Israel, confirmou que seu ministério enviou um telegrama aos embaixadores israelenses com essas orientações. "Se os palestinos tomam essa medida unilateral, Israel também tomará medidas unilaterais. É uma prova de que eles não querem a reconciliação, mas, em vez disso, a confrontação." / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.