Chanceler de Israel: não há paz se Estado palestino for reconhecido

Chanceler disse à chefe da diplomacia da UE que acordos de Oslo perderão efeito com reconhecimento

AE, Agência Estado

17 Junho 2011 | 16h26

Ashton, da União Europeia, se encontrou com o chanceler israelense em Jerusalém

 

JERUSALÉM - O ministro de Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, disse nesta sexta-feira, 17, à principal diplomata da União Europeia (UE) que o reconhecimento do Estado palestino pela Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro tornará os acordos de Oslo "nulos e sem efeito".

 

Durante um café da manhã com a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, Lieberman disse que os acordos de Oslo, de 1993, que criaram a Autoridade Palestina (AP), e todos os acordos conquistados até então, serão cancelados se for conferido o reconhecimento do Estado independente quando a Assembleia Geral da ONU se reunir.

 

"A declaração unilateral na ONU significará o fim dos acordos de Oslo e a violação de todos os acordos que assinamos até hoje", disse Lieberman, segundo todos os principais sites e rádios de Israel.

 

Segundo o chanceler, integrante do partido de extrema-direita Israel Beiteinu, "Israel não teria mais ligação com os acordos que assinou com os palestinos nos últimos 18 anos". Ashton chegou a Jerusalém na noite de quinta-feira (horário local) e deve se reunir com a liderança palestina ainda hoje.

 

Ashton está numa viagem de quatro dias à região para negociações com autoridades de Israel, dos territórios palestinos, da Jordânia e do Egito, durante as quais vai tentar encontrar uma forma de retomar as conversações de paz, que ruíram no ano passado.

 

'Chance zero'

 

Mas Lieberman disse a ela que há "chance zero para o restabelecimento das conversações" e criticou o presidente palestino Mahmoud Abbas, dizendo que ele "não quer um acordo, ele quer o conflito" com Israel.

 

"Ao buscar assegurar uma declaração unilateral de um Estado palestino, Mahmoud Abbas está agindo em seu interesse pessoal, sem levar em conta os interesses palestinos nem o conselho de muitas autoridades da Autoridade Palestina que se opõem à sua iniciativa", disse o ministro israelense à rádio pública.

 

Lieberman estava se referindo ao crescente número de reportagens que sugerem que existe uma divisão na Autoridade Palestina a respeito da estratégia diplomática de aproximação na ONU.

 

Reunião de emergência

 

Nesta noite, Ashton vai se reunir com o primeiro-ministro palestino Salam Fayyad e jantar com Abbas, numa tentativa de explorar as opções para levar as partes de volta à mesa de negociações, depois que os contatos diretos foram interrompidos em setembro.

 

Antes de chegar a Jerusalém, Ashton revelou que estava buscando a realização de uma reunião de emergência com diplomatas do Quarteto (EUA, UE, ONU e Rússia) para que ajudassem a relançar as negociações.

 

Fontes diplomáticas em Bruxelas disseram à AFP que a diplomata esperava uma rápida reunião até o início de julho. O encontro, segundo a agência, deve acontecer em Washington.

 

Amanhã, Ashton vai ao Cairo para discutir os acontecimentos na Líbia, antes de voltar para Israel no domingo, onde participa de uma reunião conjunta com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o enviado do Quarteto, Tony Blair, informou um porta-voz da UE.

 

Em seguida, ela vai viajar para Luxemburgo para uma reunião com os 27 ministros de Relações Exteriores da UE, na segunda-feira.

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