Chanceler de Israel pede em carta saída de Abbas

Avigdor Lieberman afirma que líder palestino é 'obstáculo à paz'; segundo premiê israelense, opinião do ministro não representa posição do governo

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h01

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, pediu à comunidade internacional ajuda para tirar do poder o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, cujas políticas, segundo o chanceler, são "um obstáculo à paz". O apelo de Lieberman foi feito em uma carta enviada ao Quarteto - grupo negociador formado por EUA, Rússia, União Europeia e ONU - revelada ontem.

Pouco após a notícia vir à tona, o escritório do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, desautorizou o ministro e afirmou que o pedido de Lieberman não reflete a posição do governo israelense. A Autoridade Palestina qualificou o episódio de "incitamento à violência" e exigiu retratação.

De acordo com o chanceler israelense, Abbas comanda um governo "despótico e corroído pela corrupção". A carta continua: "Eleições na Autoridade Palestina devem ser feitas e um líder novo, legítimo e realista precisa ser eleito. Apenas um governo desse tipo pode fazer progresso com Israel".

Uma autoridade do governo israelense afirmou, em condição de anonimato, que Netanyahu tentou se distanciar da carta e "está comprometido em reiniciar o diálogo" com Abbas.

As eleições palestinas estavam marcadas para 2010, mas como os grupos Fatah e Hamas não conseguem chegar a um acordo a disputa vem sendo postergada. Abbas já ameaçou várias vezes deixar o poder, sob o risco de criar um vácuo de poder na Autoridade Palestina.

Líder do partido secular e de direita Israel Beiteinu, Lieberman é conhecido por frases e propostas controvertidas. Ele já defendeu que todas as pessoas que vivem em território israelense - judeus ou árabes - tenham de realizar um juramento de fidelidade à bandeira de Israel e tentou a "troca" de vilas majoritariamente árabes dentro do Estado judeu por território palestino. O porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rdeneh, exigiu que Netanyahu condene publicamente a carta de seu chanceler. "Isso não contribui em nada para uma atmosfera de paz." / REUTERS

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