Chanceler de Israel renuncia após ser indiciado

O ministro das Relações Exteriores de Israel, o ultradireitista Avigdor Lieberman, renunciou ontem, um dia após ser indiciado na Corte Suprema por abuso de confiança em um escândalo de fraude e lavagem de dinheiro. Sua saída do governo promete influenciar a campanha para as eleições parlamentares de janeiro e afeta diretamente os planos do primeiro-ministro Binyamin Bibi Netanyahu.

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h01

O chanceler, de 54 anos, que escapou de acusações mais sérias em um caso de fraude e lavagem de dinheiro pelo qual vinha sendo investigado havia 12 anos, voltou a alegar sua inocência e diz que pode voltar à política antes das eleições, caso consiga limpar o seu nome na Justiça ou chegar a um acordo.

"Não cometi nenhum crime", declarou Lieberman, em comunicado. "Vou acabar com esse problema sem demora e limpar completamente meu nome." Pressionado, Lieberman optou pela renúncia após consultar advogados e a equipe de campanha. "Faço isso porque estou convencido de que os cidadãos de Israel devem ir às urnas com essa questão resolvida e de que posso continuar a servir ao Estado e ao povo de Israel como parte de uma liderança forte e unida para lidar com os desafios que enfrenta em segurança, economia e política", declarou.

Líder e fundador do partido Israel Beiteinu, de orientação ultranacionalista radical, Lieberman foi acusado de financiar campanhas eleitorais usando empresas de fachada na Europa oriental. As acusações, no entanto, foram arquivadas por falta de provas.

No mês passado, o partido de Lieberman se uniu ao Likud, de Netanyahu, e os dois concorrerão na mesma chapa nas eleições. Pesquisas de opinião apontavam que a coalizão seria a grande vencedora da votação, em 22 de janeiro, e constituiria o maior bloco do novo Parlamento.

Netanyahu continua favorito, mas a saída de Lieberman terá grande impacto sobre as negociações para formar uma coalizão de governo. Lieberman tem grande apelo junto aos eleitores, principalmente imigrantes da antiga União Soviética, como ele. O porta-voz do chanceler, Tzachi Moshe, disse que ele não deixará a lista do partido e pode manter-se na corrida eleitoral./ AP e NYT

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