Mohamed Messara/Efe-18/3/2011
Mohamed Messara/Efe-18/3/2011

Chanceler de Kadafi voa para Londres e deserta

Ex-chefe da inteligência líbia e arquiteto da reaproximação entre Trípoli e o Ocidente, Moussa Koussa abandona o posto; regime líbio nega deserção

, O Estado de S.Paulo

31 Março 2011 | 00h00

LONDRES

Depois de desembarcar ontem em Londres vindo da Tunísia, o ministro das Relações Exteriores do regime de Muamar Kadafi, Moussa Koussa, decidiu abandonar seu posto. A informação foi confirmada pela diplomacia britânica.

Segundo a chancelaria britânica, Koussa anunciou que estava desertando ao chegar em um aeroporto na periferia de Londres e estaria "em discussões" com Londres. "Nós encorajamos aqueles que estão em volta de Kadafi a abandoná-lo e abraçar um futuro melhor para a Líbia", completava a nota.

A Líbia negou que o ministro tenha desertado. Em comunicado, o regime disse que ele está "em missão diplomática". Segundo a TV Al-Jazira, Koussa estaria acompanhado de outros funcionários do governo que também teriam desertado.

Ex-chefe da agência de espionagem de Kadafi, Koussa ganhou o apelido de "enviado da morte" por seu envolvimento no assassinato de dissidentes líbios exilados na Europa.

Educado nos EUA, ele foi o principal protagonista da reaproximação entre a Líbia e o Ocidente após o 11 de Setembro. Koussa supervisionou tanto o desmantelamento do programa de armas proibidas de Kadafi quanto a entrega ao Ocidente dos responsáveis pelo atentado de Lockerbie, em 1988 - as duas condições para tirar o regime de Trípoli do ostracismo, em 2003. O chanceler havia sido o único integrante do alto escalão do governo líbio que não foi nominalmente citado no texto da resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, em fevereiro.Ainda não está claro se a aparente omissão tem relação com sua fuga para a Grã-Bretanha. Foi Koussa quem anunciou que a Líbia acataria a resolução da ONU impondo um cessar-fogo, adotada no dia 17. Mas o governo Kadafi não cumpriu sua promessa. / AP

Oferta

O governo de Uganda disse ontem que poderia receber Muamar Kadafi, tornando-se o primeiro país a fazer uma oferta de asilo político ao ditador líbio publicamente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.