Chanceler de Sarkozy cai por escândalo na Tunísia

Ministra que havia viajado em jatinho de empresário ligado ao clã do ditador tunisiano, Ben Ali, anuncia sua renúncia

, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

A revolta nos países árabes fez mais uma vítima entre as autoridades - mas, desta vez, na Europa. Ontem, a ministra das Relações Exteriores da França, Michèle Alliot-Marie, anunciou sua renúncia por conta de seus laços com o governo do ditador tunisiano Zine al-Abidine Ben Ali, deposto na onda de protestos no mundo árabe.

Michèle havia feito uma visita à Tunísia no Natal para passar suas férias. Durante o passeio, ela viajou em um jatinho pago por um empresário do clã Ben Ali e falou ao telefone com o ex-líder tunisiano, poucas semanas antes de sua queda. Os nonagenários pais da ministra francesa teriam ainda fechado a compra de uma propriedade de 300 mil durante o voo.

Pressionada, a ministra se limitou a dizer que havia saído de férias. Mas com as revelações do avião particular e dos negócios entre as famílias, a chanceler - que esteve no Brasil há duas semanas - viu-se obrigada a deixar o poder. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, aceitou sua demissão e a substituição por Alain Juppé, ex-primeiro-ministro da França.

Sarkozy aproveitou a saída de Michèle para promover uma mudança em cargos-chave de seu gabinete. Além de Juppé, devem entrar no governo Gérard Longuet, político do mesmo partido de Sarkozy que passa a ocupar a pasta da Defesa, e Claude Guéant, novo ministro do Interior.

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