Geoffroy Van Der Hasselt/AFP
Geoffroy Van Der Hasselt/AFP

Chanceler do Irã cita 'direção certa' de Macron para retomar acordo nuclear

Junto com a Alemanha e o Reino Unido, a França tenta convencer Teerã a voltar a seguir as normas estabelecidas pelo acordo de 2015, quebrado com a saída unilateral dos EUA no ano passado

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2019 | 22h38

PARIS – Após se encontrar na França com o presidente Emmanuel Macron antes da reunião do G-7, o chanceler do Irã, Mohammad Javad Zarif, disse nesta sexta-feira, 23, em entrevista à agência France Press que as propostas apresentadas para dar fim à crise em torno do acordo nuclear de 2015 estão indo na direção certa, embora seja preciso continuar trabalhando a respeito.

"O presidente Macron fez algumas sugestões na semana passada ao presidente (Hasan) Rohani e acreditamos que eles estão indo na direção certa, embora ainda não tenhamos chegado a um "compromisso", disse.

"Temos discutido possibilidades. Agora ele vai discutir com parceiros europeus e outros parceiros para ver onde podemos ir a partir daqui ", acrescentou o ministro iraniano.

O encontro entre os líderes francês e iraniano ocorreu um dia antes de Macron se reunir com os demais líderes mundiais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a cúpula de três dias do G-7 em Biarritz.

O programa nuclear iraniano é a questão central para as discussões, junto com as queimadas na Amazônia brasileira.

Macron tem tido apoio nesse âmbito da Alemanha, com a chanceler Angela Merkel e por enquanto do Reino Unido, com o novo premiê Boris Johnson, apesar dos desacordos dos países em relação ao Brexit

Trump deve se encontrar particularmente com Johnson durante o G-7, e as nações europeias que se mantiveram no acordo nuclear do Irã acompanham de perto a nova relação que deve ser estabelecida entre EUA e Reino Unido após a saída deste da União Europeia. 

Uma fonte diplomática ouvida pela agência Reuters garantiu que "é importante que continue (o acordo nuclear) e eu não acho que será apresentada nenhuma mudança no posicionamento do governo britânico". 

As tensões sobre este tema aumentaram nos últimos meses após Teerã retomar seu programa nuclear em resposta à retirada abrupta dos EUA do pacto nuclear, no ano passado, e impor pesadas sanções comerciais ao Irã.

As sanções estão asfixiando a economia da República Islâmica e causando "tremendo estresse" no povo iraniano, segundo Zarif.

Zarif reiterou que Teerã acredita que, se a Europa for capaz de cumprir sua parte do pacto no acordo nuclear, o Irã poderá reverter as medidas tomadas para ampliar seu programa nuclear.

"Uma vez que a Europa implemente seus compromissos, o Irã também se preparará para reverter os passos que deu", afirmou o ministro.

Questionado sobre o que estava sugerindo, Zarif não deu detalhes, mas afirmou que a Europa precisava encontrar formas de distender a situação para o Irã.

Zarif também acrescentou que é possível resolver o problema mesmo sem a participação dos EUA no acordo nuclear.

"Eu não creio que os Estados Unidos tenham todas as cartas. Se a Europa e a comunidade internacional decidirem, eles podem realmente tomar as medidas necessárias para manter o acordo", declarou.

O acordo nuclear de 2015 foi visto como um sucesso diplomático do presidente Barack Obama e um momento chave nas relações entre os EUA e o Irã, depois de décadas de distanciamento após a revolução islâmica de 1979 que derrubou o regime pró-ocidental.

Mas Trump nunca escondeu seu desgosto pelo acordo e o deixou em 2018 para o desalento dos aliados europeus de Washington. / AFP e REUTERS

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