Chanceler do Irã vê chance de diálogo com EUA

Ali Akbar Salehi afirma que o governo de Teerã tenta reduzir seu estoque de urânio enriquecido a 20% transformando-o em combustível nuclear

VIENA, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2013 | 02h06

O chanceler do Irã, Ali Akbar Salehi, afirmou que vê uma possibilidade de que seu país melhore as relações com os EUA, apesar do prolongado impasse a respeito do programa nuclear do país persa - segundo reportagem publicada ontem pelo jornal austríaco Wiener Zeitung. De acordo com as informações do diário, o funcionário iraniano afirmou que seu governo está reduzindo suas reservas de urânio enriquecido a 20%.

Nações ocidentais, árabes e Israel desconfiam que o programa nuclear do Irã tem como objetivo a fabricação de armas atômicas, o que Teerã nega. Na quinta-feira, em visita a Viena para participar de uma reunião da ONU, Salehi afirmou que o diálogo ocorrido nos dois dias anteriores entre o governo de seu país e potências mundiais, no Casaquistão, foi um "marco", pois significou um "avanço decisivo" nas negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Ao ser questionado pelo jornal austríaco sobre se a reeleição de Barack Obama para a presidência dos EUA poderia melhorar o clima das relações entre Washington e Teerã, cortadas desde a Revolução Islâmica, de 1979, Salehi respondeu: "Esse ambiente está sendo criado e moldado atualmente. Acho que ambos os lados querem aproveitar essa oportunidade".

O ministro iraniano afirmou que cerca de 100 quilos dos 250 quilos de urânio que seu país enriqueceu a 20 % - grau considerado alto, mas que não é suficiente para a fabricação de bombas nucleares, que utilizam o material com pureza superior a 90% - foram processados em varetas de combustível para um reator de pesquisas em Teerã.

"Até agora, temos produzido duas dessas varetas por mês. No futuro, queremos produzir três, quatro ou talvez até mais varetas de combustível todos os meses. É dessa maneira que queremos reduzir o suprimento de urânio enriquecido a 20% no médio prazo." Diplomatas afirmam que a conversão desse material em combustível de reatores pode melhorar as condições para as negociações entre Irã e EUA. / REUTERS

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