Chanceler eleva pressão por transição no Iêmen

Ministro da Relações Exteriores diz que saída do presidente está sendo negociada; líder nega transição imediata, mas milhares de iemenitas exigem sua renúncia

, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2011 | 00h00

SANAA

O ministro de Relações Exteriores do Iêmen, Abubakr al-Qirbi, disse ontem que está próximo um acordo para transição de poder no país, aumentando a pressão para a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh. No cargo há mais de 30 anos, Saleh negou que esteja negociando sua saída, reiterando que pretende cumprir seu mandato, que termina em 2013.

O chanceler, aliado próximo do presidente, afirmou que um acordo poderia ser anunciado ainda neste fim de semana. Após o desmentido de Saleh, o ministro disse que foi "mal interpretado", mas a perspectiva de uma transição iminente levou milhares de iemenitas de novo às ruas de Sanaa. Muitos levavam cartazes, balões e bandeiras com a expressão "saia agora".

Saleh chegou a propor sua renúncia até o fim do ano, mas a oposição exige sua saída imediata. Há impasse sobre a forma de transferência do poder. Parentes do presidente ocupam os cargos mais importantes do país.

Ameaça terrorista. Enquanto a crise política aumenta, começam a aparecer sinais de que militantes islâmicos estariam se aproveitando da situação para aumentar sua influência no país. Moradores e testemunhas afirmaram que insurgentes da Al-Qaeda teriam ocupado a cidade de Jaar, no sul do país, depois que policiais deixaram a região.

O presidente iemenita, que é um dos importantes aliados dos EUA na luta contra o terrorismo, afirmou que, sem ele, o país corre o risco de uma grave ruptura. Berço da Al-Qaeda, o Iêmen enfrenta ainda grupos separatistas no sul e conflitos entre tribos no norte. "O país é uma bomba-relógio", afirmou Saleh. /REUTERS e AP

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