Chanceler francês cobra Kerry sobre espionagem da NSA

Reunião ocorre após 'Le Monde' dar mais detalhes sobre como EUA vigiam França; Obama promete investigação a Hollande

Andrei Netto, Correspondente - O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2013 | 02h04

PARIS - Representações diplomáticas da França nos EUA também foram espionadas pela Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês). A informação foi revelada ontem pelo jornal Le Monde. Em Paris, secretário de Estado americano, John Kerry, reuniu-se com o chanceler da França, Laurent Fabius, que voltou a criticar as interceptações de dados realizadas por Washington.

Enquanto as revelações vinham à tona no portal do jornal, o chanceler francês recebeu Kerry para um café da manhã no qual o tema foi discutido. Fabius reiterou que Paris considera "a espionagem praticada em grande escala pelos americanos contra seus aliados é algo de inaceitável".

Com o mal-estar nas relações, os dois chefes da diplomacia não concederam entrevista após a reunião. O diálogo entre Fabius e Kerry ocorreu horas depois de o presidente americano, Barack Obama, telefonar para seu colega francês, François Hollande, para garantir que os EUA estão tomando providências sobre as preocupações "legítimas" de seus aliados.

Evidências da espionagem de atividades diplomáticas francesas vêm sendo reveladas pelo jornal Le Monde em parceria com o jornalista americano Glenn Greenwald, que está com os documentos do ex-técnico da NSA Edward Snowden. Um desses relatórios, datado de 10 de setembro de 2010, e classificado como ultrassecreto, fala sobre o programa Genie, que prevê infiltrações em sistemas informáticos.

De acordo com a reportagem, as informações da Embaixada da França em Washington e na ONU foram interceptadas em operações chamadas Wabash e Blackfoot. Outras técnicas de pirataria de computadores, entre as quais Highlands, Vagrant e PBX - também usadas por outros serviços secretos do mundo - foram empregadas contra representantes do Estado francês no território americano. Na segunda-feira, o jornal revelou que mais de 70 milhões de telefonemas de franceses foram gravados entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013.

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