Chanceler israelense anuncia viagem ao Brasil

A chanceler de Israel, Tzipi Livni, uma das mais populares figuras políticas do país, prometeu nesta segunda-feira que vai visitar em breve o Brasil. A chefe da diplomacia israelense, que também ocupa o cargo de vice-primeira-ministra, recebeu um convite oficial do embaixador do Brasil no país, Sérgio Moreira Lima, durante a assinatura de dois acordos bilaterais nas áreas aduaneira e de saúde."Quero ir ao Brasil assim que puder, para conhecer o povo e as lideranças locais. Nada melhor do que conversar frente a frente, sem interlocutores", disse Livni em resposta a uma pergunta do Grupo Estado.Segundo Livni, o relacionamento entre Israel e Brasil tem melhorado a olhos vistos nos últimos anos. Tanto que o presidente do país, Moshe Katsav, desembarca no Brasil no próximo dia 24 de julho para uma visita de três dias. Katsav vai passar um dia em Brasília, outro em São Paulo e o terceiro no Rio. "O céu é o limite para a aproximação entre os nossos povos", afirmou a chanceler.De bom humor, Livni ainda brincou ao explicar porque ela mesma não viaja nas próximas semanas: "Ninguém vai se interessar por uma visita minha neste momento de Copa do Mundo, não é? Todos estão, com certeza, concentrados só nos jogos da seleção. Aliás, parabéns pela vitória contra a Austrália", disse a diplomata, revelando que acompanha a competição.A última vez que um ministro das relações exteriores de Israel visitou o Brasil foi em 1987, quando Shimon Peres ocupava o cargo. Antes dele, também estiveram no País nomes importantes como Abba Eban e Golda Meir (que depois foi eleita premier). O atual primeiro-ministro, Ehud Olmert, foi ao Brasil em março de 2005, mas, na época, era apenas ministro da Indústria e do Comércio.Em termos comerciais, o relacionamento entre os dois países vai de vento em popa. O comércio bilateral aumentou de US$ 440 milhões, em 2002, para US$ 730 milhões em 2005, consolidando a posição do Brasil de maior parceiro comercial de Israel na América Latina.Mas quando se trata de política, o clima entre Brasil e Israel passou por momentos conturbados nos últimos anos. No final de 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defende abertamente a causa palestina, fez um giro pelo Oriente Médio, visitando países árabes vizinhos a Israel, como Síria e Líbano, mas não passou por Jerusalém. O mal-estar piorou com a realização, por iniciativa do governo Lula, da Cúpula América do Sul-Países Árabes, em maio de 2005. A declaração final do evento pedia a Israel que se retirasse de territórios palestinos ocupados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.