Chanceler israelense critica concessões a palestinos

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, disse hoje ao enviado especial dos Estados Unidos ao Oriente Médio, George Mitchell, que amplas concessões feitas aos palestinos no passado "resultaram em guerras" e seu país precisa de uma "nova abordagem", no mais recente indício de divergências entre o novo governo conservador israelense e Washington. Também hoje, o presidente de Israel, Shimon Peres, afirmou a Mitchell que seu país não considera que a solução para o impasse em torno do programa nuclear iraniano seja militar.

AE-AP, Agencia Estado

16 de abril de 2009 | 13h57

Na reunião com Lieberman, Mitchell reiterou o apoio do governo norte-americano à criação de um Estado palestino independente, soberano e viável, noção que vem guiando nos últimos anos os esforços de paz apoiados pelos EUA para a região. "O ministro resumiu o processo de paz desde o acordo de Oslo (1993) aos dias de hoje e observou que essa abordagem história não trouxe resultados nem soluções até o momento", informou uma nota divulgada pela assessoria de imprensa de Lieberman. "O ministro também disse que o novo governo terá de elaborar novas ideias e também adotar uma nova abordagem."

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e outros funcionários do alto escalão do governo israelense têm se esforçado para enfatizar a importância das relações estratégicas e de amizade entre Israel e os EUA. Mas tem sido impossível disfarçar as divergências existentes com relação às visões de cada nação sobre a possibilidade de paz entre israelenses e palestinos. Lieberman, um ultranacionalista, provocou polêmica no mês passado ao dizer que as negociações de paz conduzidas pelos EUA em 2008 não tinham mais relevância e que as concessões aos palestinos "são um convite à guerra".

Mitchell ainda não se reuniu com Netanyahu. O encontro está previsto para a noite de hoje. Netanyahu ainda não apresentou seus planos para os esforços de paz, mas é notoriamente contrário a um Estado para os palestinos. Ele tem falado em mudar a ênfase das discussões para o estímulo à economia palestina, deixando a questão da independência para um estágio futuro e indefinido. "A posição americana é favorável a uma solução de dois Estados, com um Estado palestino vivendo lado a lado e em paz com o Estado judeu de Israel", disse Mitchell ao término do encontro com Lieberman.

Mais cedo, Mitchell reuniu-se com o presidente Shimon Peres, que buscou minimizar as divergências entre Tel-Aviv e Washington. "A posição do presidente Obama e seus esforços pela paz nesta região são os mesmos de Israel", afirmou Peres a Mitchell, segundo transcrição de parte do encontro divulgada pela assessoria de imprensa do chefe de Estado israelense.

Irã

Peres também buscou afastar temores de que Israel possa vir a bombardear o Irã por causa do impasse em torno do programa nuclear de Teerã. "A conversa sobre um possível ataque israelense ao Irã não é verdadeira", afirmou Peres a Mitchell, prossegue a transcrição. "A solução com relação ao Irã não é militar."

Israel considera o Irã a principal ameaça militar a sua existência e acusa o país islâmico de desenvolver em segredo um programa nuclear bélico. O governo iraniano nega e afirma que suas usinas atômicas têm fins estritamente pacíficos de geração de energia elétrica e já declarou em diversas ocasiões que não pretende interromper suas atividades nucleares.

Em seus relatórios, os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) têm informado não haver sinais de um programa nuclear com fins militares e os serviços secretos dos EUA divulgaram relatório há alguns meses afirmando ter evidências de que um programa nuclear militar mantido pelo Irã no passado teria sido encerrado em 2003.

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