Chanceler nega que Dilma tenha defendido diálogo com EI

Chanceler nega que Dilma tenha defendido diálogo com EI

Segundo Figueiredo,presidente se referiu à necessidade de conversa com a 'comunidade internacional'

RAFAEL MORAES MOURA , ENVIADO ESPECIAL / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2014 | 02h01

O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, negou ontem que a presidente Dilma Rousseff tenha proposto um diálogo com terroristas para resolver a questão do Estado Islâmico. De acordo com Figueiredo, a presidente defende um diálogo no âmbito da "comunidade internacional" para tratar da delicada situação que se agrava na Síria e no Iraque.

Na quarta-feira, após discursar na Assembleia-Geral da ONU, Dilma questionou ao falar com jornalistas a eficácia de uma ofensiva militar para conter o Estado Islâmico.

"Gente, vocês acreditam que bombardear o Isis (Islamic State, na sigla em inglês) resolve o problema? Porque se resolvesse, eu acho que estaria resolvido no Iraque. A gente querer simplesmente bombardear o Isis, dizer que você resolve porque o diálogo não dá. Eu acho que não dá, também, só o bombardeio, porque o bombardeio não leva a consequências de paz", disse Dilma. "O melhor caminho para se construir a paz será sempre o diálogo e a diplomacia."

Para o chanceler brasileiro, houve uma "grande confusão" na interpretação da fala de Dilma. "Você tem de ter um diálogo na comunidade internacional para resolver essas questões. Diálogo com a comunidade internacional é exatamente o que é uma solução política, não militar, e isso é dentro sempre das melhores tradições da política externa brasileira, até porque a gente sabe que não há solução militar para isso", comentou Figueiredo, em entrevista em Nova York.

Questionado se a presidente não estaria apoiando um diálogo com o grupo terrorista, como acusou o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, o ministro respondeu: "Não foi isso que ela disse. Não foi isso. Ela não disse isso."

Sobre o discurso de Dilma, que enfocou as conquistas sociais da sua administração e do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), Figueiredo afirmou que ela fez um "discurso de estadista, de presidente da República, no padrão que tem sido (feito) ao longo dos últimos anos".

Na manhã de ontem, Figueiredo participou de uma reunião ministerial do G-4, grupo formado por Brasil, Alemanha, Japão e Índia, que divulgou uma declaração reiterando a defesa por uma reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Hoje, o ministro terá uma agenda bilateral com o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry. Indagado sobre se a conversa poderia tratar de uma remarcação da visita oficial de Dilma aos EUA, cancelada ano passado após as revelações de um esquema de espionagem por parte do governo americano, o ministro alegou que "esse é um tema entre os presidentes".

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