Antonio Lacerda/EFE
Antonio Lacerda/EFE

Chanceler qualifica de 'desumano' bloqueio em rota de ajuda humanitária à Venezuela

Ernesto Araújo volta a dizer que não houve conversa sobre opção militar com EUA e afirma que há logística sendo estudada no Brasil para entrega de ajuda humanitária

Beatriz Bulla, Correspondente/Washington, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2019 | 21h17

O chanceler Ernesto Araújo classificou nesta quinta-feira como desumano o bloqueio de pontes que permitiriam o acesso dos primeiros caminhões com alimentos e remédios destinados à Venezuela através da Colômbia.  Em entrevista coletiva em Washington, ele voltou a falar sobre a logística que tem sido preparada pelo Brasil para ajudar na abertura de um canal de ajuda humanitária – sem dar detalhes do projeto ou confirmar se isso pode ser feito através da fronteira brasileira. 

“É lamentável que haja havido bloqueio de acesso da ajuda humanitária que o povo venezuelano tanto precisa. Só temos a esperar que seja revertido pelas próprias forças venezuelanas que de alguma maneira tomaram essa atitude completamente desumana e que seja facultado o acesso do povo venezuelano àquilo que ele tanto necessita”, afirmou.

O ministro considerou ainda que Cuba tem papel importante na manutenção de Nicolás Maduro no poder. “Cuba tem um papel em manter a ditadura de Maduro no poder e isso é parte do problema. Provavelmente Maduro não estaria no poder mais se não fosse suportado por forças cubanas na Venezuela”.

Nos últimos três dias, Araújo esteve em reuniões com autoridades do governo americano, congressistas e empresários. O tema da Venezuela foi central nos encontros. Brasil e Estados Unidos reconhecem e dão suporte a Juan Guaidó como presidente interino.

Araújo afirmou que há um grupo em Brasília para definir a logística da ajuda brasileira à Venezuela, mas não detalhou o plano.“Qualquer ajuda certamente terá foco em alimentos e medicamentos, certamente. Há várias maneiras pelas quais se pode fazer isso. Queremos privilegiar ajuda através de organismos internacionais que tenham capacidade de fazer isso, isso faz parte desse processo que envolve certamente os ministérios da Saúde, da Defesa, da Justiça, coordenado pela Casa Civil”, afirmou Araújo.

Segundo ele, todos os órgãos envolvidos foram acionados dentro deste grupo interministerial sob coordenação da Casa Civil. “Isso é percebido por todos os que estão pensando em Venezuela como uma prioridade e o Brasil tem uma responsabilidade como país vizinho em ser parte desse processo”.

Ele voltou a negar que haja qualquer conversa sobre opção militar por parte dos americanos e disse que o Brasil está convencido na solução política e diplomática. “Algumas vezes é um pouco frustrante, porque gostaríamos que acontecesse mais rápido. Mas já estamos fazendo muito nesse apoio muito forte a Guaidó e seu regime”, afirmou Araújo.

Ao comentar a reunião do grupo de contato, com países com posições divergentes sobre a Venezuela, Araújo disse que não é “útil nem produtivo” adotar soluções que não reconheçam Guaidó como responsável por discutir soluções para a Venezuela.

“É uma iniciativa que parte do pressuposto de uma igualdade de condições entre o governo legítimo do presidente Guaidó e a ditadura de Maduro. Achamos que esse não é um ponto de partida”, afirmou. Segundo ele, o resultado de eventuais tentativas de transição através de Maduro irão retardar o fim do regime do venezuelano e criar “dúvidas sobre a evolução do processo democrático”.

Diplomata.  O chanceler afirmou que María Teresa Belandria - indicada para representar a Venezuela no Brasil por Juan Guaidó – será reconhecida pelo governo brasileiro como responsável pela interlocução com o país. Segundo ele, contudo, não está sendo cogitada a expulsão de diplomatas que representem Maduro no País.

 

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