Chanceler quer expulsar árabes de Israel

JERUSALÉM

AP e EFE, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

O chanceler israelense, Avigdor Lieberman, propôs ontem o redesenho das fronteiras de Israel para excluir os cidadãos árabes-israelenses. A explosiva proposta foi feita justamente após a retomada de conversações de paz entre Israel e os palestinos.

"O princípio que deverá guiar as negociações com os palestinos não deve ser "territórios por paz", mas uma troca de territórios e de povos", declarou Lieberman à imprensa, ao chegar à reunião semanal do conselho de ministros em Jerusalém.

O polêmico ministro de Relações Exteriores, líder do partido de ultradireita Yisrael Beitenu, ressaltou também que, segundo essa "troca", os assentamentos judaicos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental deveriam ficar sob soberania israelense.

O partido de Lieberman obteve grande apoio nas eleições de 2009 com uma mensagem que questionava a lealdade que os cidadãos árabes devem ter com Israel - uma minoria que representa mais de 20% dos 7,6 milhões de habitantes do país.

"A questão dos cidadãos de Israel deve ser uma das centrais na mesa de negociações, diante da recusa em reconhecer Israel como um Estado judeu", disse o chanceler. Ele se referiu ao comunicado da Liga Árabe que manifestou a recusa em reconhecer Israel como Estado judeu. "É exatamente este detalhe que nos obriga a abordar a questão dos árabes-israelenses nas negociações."

"Pessoas como a deputada (árabe-israelense) Haneen Zoabi e o chefe do braço norte do Movimento Islâmico em Israel, Raed Salah, estão lutando contra o sionismo e, no que me diz respeito, deveriam ir embora e transformar-se em cidadãos da Autoridade Palestina", afirmou. Zoabi é deputada do Parlamento de Israel e participou da campanha contra o bloqueio à Faixa de Gaza a bordo de uma das embarcações da frota humanitária atacadas em 31 de maio por Israel, em uma abordagem na qual morreram nove ativistas.

Husam Zomlot, um porta-voz palestino, disse que os comentários do chanceler israelense "não ajudam nos esforços de paz".

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